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Por volta das 15h00, os aparelhos vibraram e emitiram um som durante cerca de 10 segundos, naquele que foi o segundo ensaio deste mecanismo de segurança.
O primeiro-ministro britânico, Sir Keir Starmer, afirmou que “dezenas de milhões de telemóveis soaram com sucesso”, classificando o teste como “um passo importante para manter as pessoas seguras durante emergências nacionais”.
Eventos interrompidos
Vários eventos desportivos e culturais tiveram de se ajustar ao alerta. O jogo da Taça do Mundo de Rugby feminino, entre a Irlanda e a Nova Zelândia em Brighton, foi interrompido momentaneamente. No teatro, os espetadores foram aconselhados a desligar os telemóveis antes do início dos espetáculos.
No críquete, o alarme soou entre overs no terceiro jogo da série ODI entre Inglaterra e África do Sul, em Southampton, onde os adeptos foram previamente avisados através de mensagens no ecrã gigante.
Vídeos nas redes sociais mostraram o som estridente a ecoar em locais improváveis, como a silenciosa Biblioteca Britânica, em Londres, onde um visitante apenas murmurou um “shhh” perante a situação.
Até ao Metro de Londres os alertas chegaram. Mark, de 44 anos, contou à agência PA que todo o seu vagão recebeu a notificação ao mesmo tempo, quando os telemóveis voltaram a ter rede. A sua companheira, Abby, disse que ninguém pareceu surpreendido.
Na redação da BBC, os apresentadores acompanharam em direto o momento em que os telemóveis receberam o alerta.
Sistema já usado em emergências reais
Este não foi o primeiro ensaio: em 2023 já tinha sido feita uma experiência semelhante com algumas falhas relatadas.
Desde então, o sistema foi usado cinco vezes em situações reais. Entre os casos destacam-se:
Tempestade Eowyn (janeiro de 2024), com avisos para a Escócia e a Irlanda do Norte;
Tempestade Darragh (dezembro de 2023), que gerou alertas a 3,5 milhões de pessoas no País de Gales e no sudoeste de Inglaterra;
A descoberta de uma bomba não deflagrada da Segunda Guerra Mundial em Plymouth (fevereiro de 2024), que ativou alertas em cerca de 50 mil telemóveis;
Inundações em Cumbria (maio de 2024), que atingiram 15 mil utilizadores, e em Leicestershire (janeiro de 2025), com 10 mil alertas.
Como funciona o sistema?
Os alertas podem ser direcionados para áreas muito específicas, e atingem apenas os telemóveis em risco imediato. Em emergências graves, os avisos são também transmitidos pela televisão, rádio e, em casos críticos, através de alertas porta a porta.
O governo tem ainda trabalhado com organizações de apoio a vítimas de violência doméstica, para garantir que as pessoas que necessitam podem optar por não receber o alerta de forma visível, de modo a não comprometer a sua segurança.
E em Portugal, como funcionam os alertas de emergência?
Em Portugal, o sistema de alertas de emergência funciona de forma diferente, mas segue a mesma lógica: avisar rapidamente a população em risco.
Desde 2018, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) envia SMS georreferenciadas para pessoas localizadas em áreas afetadas por incêndios, inundações ou outras catástrofes. Estas mensagens são gratuitas e não exigem qualquer registo por parte do utilizador.
Em 2022, foram realizados ensaios técnicos internos para preparar a adoção de um novo sistema baseado em difusão celular (Cell Broadcast) — semelhante ao do Reino Unido — que permite avisos mais rápidos e fiáveis, sem depender da rede de SMS.
No ano seguinte, em 2023, o governo aprovou legislação para avançar com a implementação deste sistema. A transição está em curso, mas ainda não foram feitos testes públicos à escala nacional como os britânicos.
Segundo a Proteção Civil, o Cell Broadcast trará vantagens claras:
Alerta imediato para todos os telemóveis numa área de risco, mesmo sem dados móveis;
Maior fiabilidade em situações de sobrecarga das redes;
Ausência de recolha de dados pessoais.
Até à conclusão desta transição, os avisos à população continuam a ser feitos sobretudo por SMS e através dos canais tradicionais: televisão, rádio e sirenes locais.
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