Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
A liderança do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, enfrenta uma das maiores crises desde que chegou ao poder, com mais de 70 deputados do Partido Trabalhista a exigirem publicamente a sua demissão e vários ministros do governo a pressionarem-no para definir um calendário de saída.
Apesar da crescente contestação interna, revela o The Guardian, Starmer garantiu esta segunda-feira que não pretende abandonar o cargo, defendendo que lançar o país numa nova disputa pela liderança seria um erro que os britânicos “nunca perdoariam”.
A crise agravou-se após os recentes resultados eleitorais considerados desastrosos para o partido, levando figuras de peso do executivo a reunirem-se com o primeiro-ministro para discutir o futuro da liderança.
Entre os ministros que falaram diretamente com Starmer estiveram a ministra do Interior, Shabana Mahmood, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper, o ministro da Defesa, John Healey, e o vice-primeiro-ministro, David Lammy.
Segundo fontes próximas do governo britânico, alguns membros do executivo defenderam que Starmer deveria supervisionar uma “transição ordeira” de poder, enquanto outros apelaram a uma abordagem “responsável, digna e organizada” para o futuro do partido.
Ainda assim, nem todos os ministros defendem a saída imediata do líder trabalhista. O procurador-geral Richard Hermer e o ministro Steve Reed terão manifestado apoio à continuidade de Starmer.
Um ministro do executivo afirmou que o primeiro-ministro “ouviu atentamente os membros do gabinete” e terá de tomar uma decisão antes da próxima reunião ministerial.
A pressão não se limita ao governo. Mais de 70 deputados trabalhistas, cerca de 25% da bancada parlamentar, declararam publicamente que perderam confiança na capacidade de Starmer liderar o partido nas próximas eleições legislativas.
Entre os críticos estão aliados próximos do ministro da Saúde, Wes Streeting, que defendem que o líder trabalhista deve apresentar rapidamente um calendário para a sucessão.
Também apoiantes do presidente da Câmara da Grande Manchester, Andy Burnham, publicaram cartas a pedir a saída de Starmer, aumentando a especulação em torno de uma possível candidatura futura do autarca à liderança trabalhista.
A vice-primeira-ministra Angela Rayner pareceu aproximar-se politicamente de Burnham, considerando que foi um erro impedir o seu regresso ao Parlamento no início do ano.
Ao mesmo tempo, vários auxiliares parlamentares do governo apresentaram demissão e apelaram à saída do primeiro-ministro, aprofundando a crise em Downing Street.
Num discurso realizado esta segunda-feira, Starmer rejeitou categoricamente a hipótese de renunciar e afirmou que pretende enfrentar qualquer desafio interno à sua liderança.
“Assumo a responsabilidade de não abandonar o cargo e de não mergulhar o país no caos, como os conservadores fizeram repetidamente”, afirmou o primeiro-ministro britânico.
“Sei que há pessoas frustradas com o estado do país, frustradas com a política e até comigo. Sei que tenho críticos e sei que preciso de lhes provar que estão errados — e vou fazê-lo”, acrescentou.
Apesar da declaração, o discurso não conseguiu travar a onda de contestação dentro do partido.
O deputado trabalhista Chris Curtis, considerado até recentemente um aliado fiel de Starmer, declarou que o atual líder “já não consegue entregar a mudança de que o país precisa” e defendeu uma nova eleição interna para discutir “a visão do partido para o futuro do Reino Unido”.
Nos bastidores, cresce a especulação sobre quem poderá suceder a Starmer caso a pressão se torne insustentável. Entre os nomes apontados estão Wes Streeting, Andy Burnham, Angela Rayner e o secretário da Energia, Ed Miliband.
No entanto, a disputa interna está longe de reunir consensos. Alguns deputados alertam que uma mudança de liderança poderá beneficiar politicamente Nigel Farage, do Reform Uk.
Numa mensagem partilhada num grupo interno de deputados trabalhistas, a deputada Natasha Irons escreveu que substituir Starmer “porque Nigel Farage o exige” seria um erro do qual o partido “nunca recuperaria”.
__
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários