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“Pagava 120 euros por mês para estacionar e quase sempre havia lugares livres, mas não havia forma fácil de partilhar os lugares entre colegas”, recorda o CEO da Mobbi Pro.
Essa frustração levou Mário Fonte, que trabalhava com softwares de manutenção em outsourcing há sete anos, a criar, em 2019, a Mobbi Pro, uma plataforma 100% portuguesa que ajuda empresas e edifícios a gerir melhor o espaço e o estacionamento.
Inicialmente focada em parques de estacionamento corporativos, a Mobbi Pro evoluiu com o trabalho híbrido: “Passámos também a gerir secretárias, salas de reunião, cacifos e até viaturas de frota.”
Como funciona a plataforma?
O modelo da Mobbi é simples: licenciamento por “lugar clicável”, seja um estacionamento, uma secretária ou uma sala de reunião. Cada espaço está identificado numa planta interativa, e os colaboradores podem reservar com antecedência.
A grande vantagem? A integração com sistemas de controlo de acessos, garantindo que as reservas são efetivamente utilizadas.
“Não queremos ser apenas uma agenda bonita”, sublinha Mário. Se um colaborador reservar um espaço e não o usar, recebe um alerta. O objetivo é “educar” os utilizadores para uma utilização consciente, evitando reservas fantasmas que criam entropia no sistema.
Mais do que otimização interna, a solução também contribui para a sustentabilidade. No modelo tradicional, quem não tem lugar fixo acaba por levar o carro para a cidade, na esperança de encontrar estacionamento, gerando trânsito e emissões desnecessárias. Com a Mobbi, o colaborador sabe à partida se tem ou não lugar, podendo optar por transporte partilhado ou outro meio.
“Além disso, a plataforma permite planear boleias entre colegas, o que também reduz a pegada ambiental”, acrescenta Mário.
Desafios e novas tendências: “Estamos a voltar atrás com o regresso ao escritório”
Entre os desafios, destaca-se a mudança de hábitos. “Convencer os colaboradores com lugares fixos a libertá-los quando não os usam é difícil. É uma questão cultural”, explica. Outro obstáculo é o comportamento inicial dos utilizadores: reservar todos os lugares disponíveis, mesmo sem necessidade.
Neste momento, em que o mercado está a mudar, o regresso ao escritório é um tema central e uma preocupação para a Mobbi. Depois do teletrabalho generalizado, muitas empresas estão a inverter a tendência.
“Vemos clientes a aumentarem os dias presenciais. Um caso recente passou de dois para quatro dias por semana em apenas seis meses”, revela.
Para o fundador, esta mudança reativa desafios antigos: com mais pessoas no escritório, volta a faltar espaço (tanto em secretárias como em estacionamentos).
“Acho que estamos a dar um passo atrás com este regresso massivo ao escritório. Nenhum colaborador quer isso.”
Quanto ao futuro, Mário é claro: a internacionalização é o objetivo para os próximos cinco anos.
Inteligência Artificial? Ainda não
Apesar do buzz em torno da IA, a Mobbi prefere manter a prudência.
“Vemos muitas soluções a dizerem que usam Inteligência Artificial quando, na prática, fazem o mesmo que antes. Estamos atentos, mas só implementaremos IA se trouxer verdadeiro valor.”
Por enquanto, a aposta está em integrações mais fluidas, como a possibilidade de reservar espaços diretamente via Microsoft Teams, sem abrir a aplicação.
A Mobbi Pro já está a ser usado em empresas como Ageas, Ayvens, Millennium BCP e Nova IMS, entre outras, e já marcou presença em eventos como o Security Summit 2024. Em 2025, estará também na Web Summit, para demonstrar como a tecnologia pode otimizar a experiência de trabalho e a mobilidade nas cidades.
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