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José Madeira cumpre hoje a 50.ª internacionalização ao serviço da seleção portuguesa de râguebi na final do Rugby Europe Championship (REC 2026), no estádio municipal de Butarque, Leganés, arredores de Madrid (Sport TV, 17h45) diante a Geórgia, vencedora dos últimos 8 “europeus” consecutivos, num total de 17 títulos conquistados no Torneio das Seis Nações “B”.

As 50 caps (chapéus) como é denominado na bola oval, coloca Madeira, 24 anos, de acordo com os registos consultados na Federação Portuguesa de Râguebi, como o jogador português mais novo a vestir a camisola dos Lobos à meia centena de vez.

Supera Vasco Uva que atingiu-a aos 25 anos. Coloca ainda José Madeira numa galeria ao lado dos ex-lobos Gonçalo Uva, Diogo Mateus, Pedro Leal, António Aguilar, Luís Pissarra, Francisco Fernandes, Francisco Pinto Magalhães, Tomás Appleton, José Lima e Diogo Hasse Ferreira, todos com 50 ou mais internacionalizações.

Após quase um ano de afastamento da seleção, devido a lesão, contraída num “jogo de má memória, no Jamor, contra a Roménia (meia-final do REC 2025, março do ano passado)”, os quatro jogos no campeonato da Europa catapultaram-no para atingir, no decurso desta temporada, este marco na seleção portuguesa de râguebi.

A normalidade da braçadeira de capitão 

Na final da segunda mais importante competição europeia – as Seis Nações é um torneio privado – frente aos Lelos, às 50 internacionalizações, Madeira, número 5 dos Lobos, acrescenta uma outra estatística.

Envergará pela quinta vez a braçadeira de capitão, após ter estreado esse estatuto frente à Bélgica, repetindo na fase de grupos do REC 2026 e na meia-final.

“É algo natural, temos vários líderes no grupo de liderança. O Tomás (Appleton) estava a usá-la. Estava mais ou menos ciente que poderia ser esse o papel a desempenhar”, confessou José Madeira ao 24noticias.

“Ninguém ficou propriamente chocado, alguém tinha de tomar esse papel”, reforçou. “É uma sensação de orgulho enorme” em representar Portugal, “ainda para mais como capitão”, considerou o jogador, segunda-linha, do Grenoble, clube da Pro2, segunda divisão francesa, onde também já decorou o braço esquerdo com a letra “C”.

A missão em nada altera a forma de estar e ser de José Madeira. “Não mudou muito o meu jogo, estou muito focado no meu papel de líder de campo e só altera o facto de ter que falar mais com o árbitro, tudo o resto é natural”, garantiu.

 

A estreia no Brasil

Madeira estreou-se ao serviço dos Lobos na digressão ao Brasil, em novembro de 2019, pela mão do francês Patrice Lagisquet. Durante o reinado do “Express de Bayonne”, antigo selecionador nacional, cumpriu 22 dos 23 jogos, tendo falhado somente “por lesão”, o primeiro jogo do Mundial 2023 contra Gales, recuou.

Reviveu a estreia. “O primeiro jogo foi no Brasil. Jogámos em São Paulo. Perdemos, tínhamos a capacidade de ganhar, mas falhámos”, admite. A derrota permitiu, contudo, construir alicerces. “Éramos um grupo de amigos, todos muito próximos. Não sei de cabeça, fomos oito ou nove jogadores que nos estreámos. Foi um passo importante para o que se fez com o Mundial de 2023”, reconheceu.

Formado no Belenenses, foi dos primeiros jogadores portugueses a entrar no avião na mais recente vaga de emigração para os campeonatos semiprofissionais e profissionais franceses, para onde também saíram Simão Bento, Manuel Marta e Raffaele Storti.

Partiu aos 19 anos para França, para a equipa de Espoir (Esperanças) do Grenoble, mas rapidamente saltou para a principal. “Comecei cedo a integrar a equipa principal e consegui entrar devido a lesões”, recordou na conversa tida debaixo da bancada do campo n.º2 do Jamor, sede das seleções nacionais de râguebi.

Recorda a partida. “Fui sozinho. Tinha um treinador, João Mirra, disse-me antes de ir que não tinha nada a perder, para ir, fazer o meu melhor e aproveitar”, relembrou. “Fui com esse espírito, abracei o desafio e a experiência”, descreveu.

“Muito honestamente, não pensei muito, fui só, incentivado pelo treinador (Mirra) que disse-me que ser profissional iria ajudar-me também na seleção nacional”, detalhou. “Fui com essa perspetiva, na altura só tinha dois anos de contrato, se não der, volto para trás. Já lá vão seis anos e tem corrido muito bem”, sorriu, partilhando a alegria com o sucesso de outros colegas de seleção. “Ainda bem que outros seguiram o meu caminho, foram para a França e estão a fazer uma grande carreira também”.

O profissionalismo muda o sentido da modalidade

O percurso passará, a partir do próximo ano, pelo Top-14, primeira divisão gaulesa.

Saído de um quadro de amadorismo em Portugal, em terras gaulesas deparou-se com outra realidade. “O profissionalismo em França muda um bocado o sentido da modalidade, passamos de fazer algo que é apenas uma paixão, para ser o nosso ganha-pão, o nosso trabalho”, constata.

Continuou. “O râguebi tem a felicidade de ser um dos poucos desportos que, mesmo com a vertente profissional, consegue manter valores que se encontram no amadorismo, consegue ainda ter esses valores muito importantes”, destacou.

Dá um exemplo. “A conhecida terceira parte também se faz a nível profissional, as equipas estão juntas, é sempre bom beber uma cerveja e comer juntos, é importante saber distinguir o que é dentro e o que está fora de campo”, registou.

Chama a atenção para um dado. “Se calhar, as pessoas não têm muita perceção do campeonato em França. Arranca na última semana de agosto e acaba na última semana de junho, são quase 11 meses de época, muitos meses dedicados, é uma carga muito superior ao que se encontra no Campeonato Nacional”, comparou.

Belenenses, onde tudo começou e pode acabar

Na conversa com o 24noticias reconhece que não seria o mesmo José Madeira sem o tempo na formação do Belenenses. “O primeiro encontro com a modalidade é muito importante. Quando cheguei ao Belenenses, nunca ninguém na minha família tinha jogado râguebi, nem faziam ideia do que era. Fui muito bem recebido. Tenho amigos desde os 7 anos, 8 anos, aos 24 ainda são os meus melhores amigos”, atestou.

“Essa primeira abordagem criou-me também os valores da modalidade, a união, o companheirismo”, realçou. “Isso fala muito mais da pessoa do que como atleta. Para o atleta, conta os últimos anos, agora, enquanto valores de homem, de jogador de râguebi, contribui muito essa parte inicial”, explicou.

Talvez, por esse facto, não é de estranhar a resposta dada sobre se a porta do clube da Cruz de Cristo está sempre aberta. “Acho que sim...brinco muitas vezes com os meus amigos que ainda jogam no Belenenses. Se o meu corpo me permitir, gostaria de tentar jogar em casa outra vez. Mas ainda falta muito tempo”, gracejou José Madeira.

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