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É um dos mais importantes e populares líderes do Fatah, um grupo político e militar que integra a Organização para a Libertação da Palestina.

Para muitos palestinianos, Marwan Barghouti é visto como o possível presidente de um futuro Estado da Palestina, o que lhe deu a alcunha de "Mandela palestiniano".

Em entrevista à FRANCE 24, no passado mês de julho, Efraim Halevy, ex-diretor do Instituto de Inteligência e Operações Especiais de Israel (Mossad), classificou Marwan Barghouti como a pessoa mais qualificada para liderar os palestinianos, apesar da oposição do governo israelita.

Este domingo, a banda irlandesa U2 apelou ao fim do conflito na Faixa de Gaza, através de uma publicação no Instagram.

O vocalista, Bono, disse que o governo de Israel merece ser condenado pela resposta desproporcional em Gaza e pediu ainda a libertação dos reféns.

No mesmo texto, Bono diz acreditar uma coexistência dos dois estados e aponta Marwan Barghouti como um possível líder da Palestina, citando Efraim Halevy.

O Mandela palestiniano

Marwan Barghouti nasceu a 6 de junho de 1959 em Kobar, uma vila na Cisjordânia.

Um de sete filhos, Marwan Barghouti juntou-se ao Fatah aos 15 anos. Aos 18, foi preso por Israel pelo envolvimento com grupos militantes palestinianos.

Na prisão, concluiu o ensino secundário e tornou-se fluente em hebraico.

Mais tarde, licenciou-se em História e Ciência Política na Universidade de Birzeit, onde também se tornou mestre em Relações Internacionais. Ativo na política académica, foi líder do conselho de estudantes da universidade.

Casou-se com uma colega, Fadwa Ibrahim, que se formou em direito. Mais tarde, viria a tornar-se ativista pela libertação do marido, que se encontra preso.

O casal teve uma filha, Ruba, e três filhos  — Qassam, Sharaf e Arab.

É apontado como o líder da Primeira e Segunda Intifadas, revoltas populares do povo palestiniano contra a ocupação israelita, que ocorreram entre 1987 e 2005.

Durante a primeira Intifada, foi preso por Israel e deportado para a Jordânia, onde permaneceu durante sete anos. Foi autorizado a voltar sob os termos dos acordos de Oslo, em 1994.

Em 1996, foi eleito para o Conselho Legislativo da Palestina, onde começou a sua luta pela defesa do estabelecimento de um estado palestiniano independente.

Voltou a ser preso por Israel em 2002, durante a Segunda Intifada, e acusado de terrorismo. Condenado a cinco penas de prisão perpétua em 2004, Marwan Barghouti recusou-se a apresentar uma defesa, alegando que o julgamento foi ilegal e ilegítimo.

Mesmo dentro da prisão, Marwan Barghouti ainda tem uma grande influência no Fatah. Durante as negociações para a troca de prisioneiros palestinianos pelo soldado israelita capturado Gilad Shalit, o Hamas insistiu na inclusão de Barghouti no acordo. No entanto, o pedido foi recusado por Israel.

Apesar de estar longe dos olhos do público, Marwan Barghouti continua a ser um líder popular entre o povo palestiniano e a campanha pela sua libertação extende-se pelo mundo fora, incluíndo membros do Parlamento Europeu.