Segundo uma reportagem da SIC, os comentários foram feitos em nome pessoal, sobretudo em reações a notícias partilhadas no Facebook, e incidem sobre processos judiciais mediáticos, figuras políticas e decisões institucionais.

Entre as publicações destacadas encontra-se uma crítica ao pedido do Ministério Público de pena suspensa para o antigo banqueiro Ricardo Salgado, devido ao diagnóstico de Alzheimer. Carlos Alexandre escreveu que poderia estar a caminho “uma epidemia de Alzheimer”, comentário que gerou polémica, tendo em conta que foi o próprio juiz quem ordenou a prisão preventiva do ex-presidente do Banco Espírito Santo há mais de uma década.

Sobre a Operação Influencer, processo no qual o ex-primeiro-ministro António Costa continua a ser investigado, Carlos Alexandre comentou que o antigo governante “tem bons amigos há muitos anos para o informar”, numa referência às queixas públicas de Costa por não ter acesso ao processo.

A reportagem da SIC aponta ainda comentários relacionados com a Operação Marquês, processo em que o magistrado teve intervenção, bem como manifestações de simpatia pela criação de um novo partido de direita e elogios ao nome indicado pelo Chega para o Tribunal Constitucional, Luís Brites Lameiras, que classificou como uma “excelente escolha”.

Também o Presidente da República, António José Seguro, foi visado num comentário irónico a propósito da decisão de continuar a residir nas Caldas da Rainha e não no Palácio de Belém. “Em Cascais era mais perto. Na Oura, na Coelha, em Monte Gordo. Enfim, isto com 3.500.000 votos em 11 milhões de eleitores”, escreveu o juiz.

Questionada sobre a polémica, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, desvalorizou o caso, destacando o trabalho desenvolvido por Carlos Alexandre à frente da Comissão de Combate à Fraude no SNS. “Não me preocupa, porque o trabalho que o gestor-embargador Carlos Alexandre tem feito nesta área é de enorme mérito, com resultados importantes, ainda que discretos”, afirmou, em declarações à RTP.

O plenário do Conselho Superior da Magistratura reúne-se esta segunda-feira para decidir se existem fundamentos para a abertura de um processo disciplinar ao magistrado.