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A França está a adaptar a sua doutrina militar com base na experiência recente de guerras de alta intensidade, numa altura em que se prepara para apresentar uma nova lei de planeamento militar a 8 de abril. O objetivo é claro: responder às fragilidades expostas pelos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente e reforçar a prontidão face a potenciais ameaças no espaço da NATO.

“Estamos a aplicar tudo o que podemos aprender da Ucrânia, sobretudo em termos de desenvolvimento de capacidades”, afirmou Dominique Tardif, vice-presidente da Força Aérea francesa, em declarações ao jornal Politico. Segundo o responsável, França “não está apenas a observar à distância, está a aprender em tempo real”.
As forças francesas encontram-se atualmente destacadas em regiões sensíveis, como os Emirados Árabes Unidos, onde participam na defesa contra ataques com drones associados ao Irão. Um militar francês foi mesmo morto no Iraque nos primeiros dias do conflito, vítima de um drone.

Os dois cenários de guerra evidenciaram lacunas nos arsenais ocidentais, sobretudo na resposta a ameaças de baixo custo, como drones. Os mísseis utilizados para os intercetar continuam a ser significativamente mais caros, o que levanta problemas de sustentabilidade em conflitos prolongados.

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Para contornar esta limitação, França está a desenvolver soluções mais económicas. Entre elas, destaca-se o uso de helicópteros Fennec para abater drones e a adaptação dos caças Dassault Rafale com rockets guiados a laser de menor custo. Em paralelo, empresas francesas trabalham no desenvolvimento de drones interceptores mais baratos.

O investimento na produção militar também está a ser reforçado. O Governo francês prevê gastar 8,5 mil milhões de euros em munições até 2030 e aumentar significativamente a capacidade industrial. “Estamos a passar de um mundo com pequenos stocks para outro em que estes têm de ser ampliados”, explicou Dominique Tardif.

Outro ponto central é a superioridade aérea, um princípio fundamental da doutrina da NATO. Enquanto os Estados Unidos e Israel conseguiram garantir esse domínio em cenários recentes, a Rússia falhou esse objetivo na Ucrânia, contribuindo para um impasse prolongado no terreno.
“Sem superioridade aérea, há uma paralisação das operações de ataque terrestre”, sublinhou Dominique Tardif, apontando que apenas uma fração dos ataques russos atingiu os seus alvos, ao contrário das operações norte-americanas e israelitas.

A médio prazo, a Força Aérea francesa prepara-se para um possível “choque”, como descreveu o chefe do Estado-Maior francês, associado a um eventual teste da NATO por parte da Rússia entre 2028 e 2029. Nesse cenário, países da Europa Ocidental poderão ser chamados a intervir diretamente na linha da frente, sobretudo na ala leste da aliança.

Além disso, Paris está a investir na proteção das suas bases aéreas, inspirando-se em operações ucranianas que demonstraram a vulnerabilidade de infraestruturas militares em território inimigo.
Apesar da aposta em soluções mais acessíveis, França não abdica de armamento avançado. A estratégia passa por combinar volume, para saturar defesas, com munições de elevada precisão, evitando cair num conflito de desgaste prolongado.

Entre as inovações em estudo estão também drones de combate com inteligência artificial, concebidos para operar em conjunto com aviões tripulados, aumentando a capacidade de deteção e resposta a ameaças.

Ao mesmo tempo, Dominique Tardif alerta que a Rússia continua a evoluir rapidamente, investindo fortemente na indústria de defesa e melhorando tecnologias como drones, mísseis e sensores. Um fator que reforça a urgência da adaptação estratégica francesa num contexto internacional cada vez mais volátil.

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