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As autoridades francesas ordenaram a retirada preventiva de quase 4.000 pessoas de parques de campismo, aldeamentos de férias e outros alojamentos turísticos na zona de Lacanau, a oeste de Bordéus, devido ao agravamento do risco provocado pelos incêndios florestais.

Segundo o The Guardian, a decisão surge numa altura em que o regresso do vento e do calor extremo coloca em causa os esforços dos bombeiros para controlar os incêndios que continuam ativos em França e Espanha. O Presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a atual situação como a mais difícil enfrentada pelo país desde a Segunda Guerra Mundial.

Durante uma visita a um centro de gestão da crise em Bordéus, na terça-feira, Macron alertou que "as próximas semanas serão difíceis" e sublinhou a necessidade de manter os esforços no combate às chamas.

No departamento de Gironde, o comandante dos bombeiros Rémi Lassoureille afirmou, citado pelo jornal Le Monde, que o incêndio, responsável pela destruição de 42.000 hectares de floresta, se encontrava "relativamente sob controlo". Ainda assim, os operacionais receiam um possível reacendimento da frente noroeste em direção a Lacanau, motivo que levou à evacuação dos parques de campismo da região.

Entretanto, outros grandes incêndios registados no departamento vizinho de Landes e no maciço de Écrins, nos Alpes franceses, já foram dominados, permitindo o regresso de milhares de pessoas às suas casas. No entanto, um incêndio no maciço de Gros Bessillon, na região de Var, no sudeste de França, continua por controlar.

Ao longo da última semana, os incêndios em França, Espanha e Itália obrigaram à retirada de cerca de 330.000 pessoas. Em Espanha, o país prepara-se para enfrentar a quarta vaga de calor intensa deste verão, enquanto combate alguns dos maiores incêndios florestais da sua história.

Na província espanhola de Almería, morreu uma mulher que tinha sofrido ferimentos graves num incêndio florestal ocorrido este mês. A vítima faleceu no Hospital Universitário Virgen del Rocío, em Sevilha, elevando para 14 o número de mortos associados a esse incêndio.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, avisou que o país enfrenta "horas difíceis e complexas" antes da chegada da nova vaga de calor, prevista para começar na quarta-feira, defendendo uma resposta urgente à emergência climática. Mais tarde, afirmou que as autoridades começam a "ver a luz ao fundo do túnel" no combate aos incêndios. O Ministério do Interior espanhol anunciou também o levantamento das ordens de evacuação em 15 municípios.

Na província de Ávila, a oeste de Madrid, encontra-se o maior incêndio alguma vez registado em Espanha, depois de consumir 50.000 hectares.

Também a União Europeia reforçou o apoio aos dois países. A porta-voz Anna-Kaisa Itkonen revelou que vários aviões e helicópteros de combate a incêndios enviados por Estados-membros foram destacados para França e Espanha, salientando que nenhum país consegue, sozinho, manter todos os meios necessários para responder a todas as catástrofes naturais ou outras crises.

Os incêndios na Europa coincidem com grandes fogos ativos no oeste dos Estados Unidos e em vastas zonas do Canadá, enquanto vários países asiáticos enfrentam cheias provocadas por chuvas torrenciais.

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