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Um inquérito nacional do Pew Research Center revela que os preços elevados nos supermercados estão a dificultar a adoção de uma alimentação saudável para muitos adultos nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, realizado entre 24 de fevereiro e 2 de março com 5.123 adultos, 90% afirmam que o custo de alimentos saudáveis aumentou nos últimos anos, e 69% dizem que esses preços mais altos dificultam a manutenção de uma dieta equilibrada. A situação afeta sobretudo pessoas com rendimentos baixos ou fixos — 47% relatam dificuldades, contra apenas 15% dos adultos com rendimentos elevados.
Eileen Yam, diretora de investigação em ciência e sociedade do Pew, destaca à CNN que mesmo a classe média e alta não está imune ao impacto da subida de preços. O médico David Katz, especialista em medicina preventiva e fundador da True Health Initiative, sublinha que uma alimentação saudável pode ser mais acessível se se privilegiar alimentos vegetais como feijão, lentilhas e cereais integrais, que são nutritivos e económicos, e se reduzir o consumo de carne, laticínios e bebidas açucaradas. Para Katz, o principal obstáculo não é o preço, mas a literacia alimentar.
A questão ganha relevo num país onde mais de um milhão de pessoas morrem anualmente de doenças relacionadas com a alimentação, como obesidade, cancro, doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Segundo dados científicos, a dieta americana é globalmente deficiente e mais de metade dos adultos não cumpre as recomendações alimentares da American Heart Association. Curiosamente, 60% dos inquiridos avaliam as suas dietas como “razoavelmente saudáveis”, embora Katz considere que esta perceção seja pouco fiável.
O estudo também conclui que quem cozinha e come mais vezes em casa tende a avaliar melhor a própria dieta, cerca de um terço classificou-a como muito saudável, contra apenas 12% entre quem come mais fora. Na escolha dos alimentos, o sabor é o fator mais importante para 83% dos americanos, seguido do preço, da saúde e da conveniência. Essa combinação favorece o consumo de ultraprocessados, que representam cerca de 71% da oferta alimentar do país e estão associados a maiores riscos de doenças crónicas e mortalidade precoce.
Investigadores defendem que padrões alimentares como a dieta mediterrânica, rica em vegetais, leguminosas, cereais integrais e pobre em carnes vermelhas, processados, açúcar e sal, podem trazer benefícios significativos em qualquer idade, reduzindo mortes prematuras e melhorando a qualidade de vida.
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