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O Comando Distrital de Leiria da Polícia de Segurança Pública (PSP) revelou que, no dia 20 de junho, a Esquadra de Caldas da Rainha registou duas denúncias relacionadas com burlas associadas a investimentos em criptoativos, que resultaram em perdas financeiras superiores a 140 mil euros.

Numa das ocorrências, a vítima sofreu um prejuízo estimado em cerca de 130 mil euros, enquanto na segunda situação o montante ascendeu a aproximadamente 8 mil euros. Apesar da diferença dos valores envolvidos, a PSP sublinha que este tipo de fraude pode afetar qualquer cidadão, independentemente do montante inicialmente investido.

Segundo os elementos recolhidos pelas autoridades, as vítimas tiveram o primeiro contacto com o esquema através de anúncios visualizados nas redes sociais, onde surgiam figuras públicas ligadas ao desporto a promover alegadas oportunidades de investimento com elevada rentabilidade. Após demonstrarem interesse, foram encaminhadas para plataformas digitais nas quais forneceram dados pessoais para registo.

Posteriormente, passaram a ser contactadas telefonicamente por indivíduos que se apresentavam como gestores de investimento especializados. Os suspeitos prometiam retornos financeiros elevados e acompanhamento personalizado, convencendo as vítimas a realizar sucessivas transferências bancárias para diferentes contas, alegadamente destinadas a investimentos em criptoativos de elevada rentabilidade.

A PSP refere ainda que, em alguns casos, os suspeitos solicitaram acesso remoto aos equipamentos informáticos das vítimas, incluindo computadores, tablets e telemóveis. Para tal, instalaram aplicações que, segundo alegavam, permitiriam acompanhar a evolução dos investimentos. Durante este período, os lesados mantiveram contactos frequentes com várias pessoas de diferentes nacionalidades, o que contribuiu para reforçar a aparência de legitimidade da operação.

O esquema prolongou-se enquanto as vítimas continuaram a investir. No entanto, quando tentaram resgatar os supostos lucros ou recuperar os montantes aplicados, verificaram que tal não era possível, percebendo então que tinham sido vítimas de burla.

De acordo com a PSP, tem-se registado um aumento deste tipo de denúncias, frequentemente associadas à promessa de elevados rendimentos em pouco tempo. As autoridades alertam que os burlões exploram a crescente popularidade dos criptoativos e o desconhecimento de muitos investidores sobre este mercado.

A polícia recorda ainda que muitas destas fraudes recorrem à utilização abusiva da imagem de figuras públicas, celebridades ou especialistas financeiros, muitas vezes através de conteúdos manipulados com recurso a inteligência artificial, dificultando a distinção entre informação legítima e conteúdos fraudulentos.

As burlas relacionadas com criptomoedas podem assumir diversas formas e chegar aos cidadãos através de anúncios patrocinados, redes sociais, mensagens eletrónicas, aplicações de mensagens instantâneas como WhatsApp ou Telegram, ou páginas de internet aparentemente credíveis.

A PSP lembra que, segundo o Banco de Portugal, os criptoativos ou ativos virtuais são representações digitais de valores ou direitos que podem ser transferidos e armazenados eletronicamente. Apesar de poderem ser utilizados para pagamentos, não têm curso legal em Portugal nem são garantidos pelo Banco de Portugal ou por qualquer outra autoridade nacional ou europeia.

Perante este fenómeno, a força policial aconselha os cidadãos a desconfiarem de promessas de lucros elevados e garantidos, a não investirem sob pressão ou urgência, a verificarem a legitimidade das plataformas utilizadas e a não permitirem o acesso remoto aos seus equipamentos por desconhecidos. Recomenda ainda que não sejam efetuadas transferências para contas bancárias cuja titularidade seja desconhecida, que se confirme se as entidades estão devidamente autorizadas para exercer atividades financeiras e que seja procurado aconselhamento independente antes de qualquer investimento.

A PSP apela ainda a que qualquer pessoa que suspeite ter sido vítima deste tipo de esquema interrompa imediatamente os contactos com os suspeitos, preserve mensagens, correios eletrónicos, comprovativos de transferência e capturas de ecrã dos sites utilizados, comunicando os factos às autoridades policiais o mais rapidamente possível.

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