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O Partido Socialista tentou distanciar-se das declarações da presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, dirigidas a um jornalista da agência Lusa, garantindo que estará "sempre do lado da liberdade de imprensa". O dirigente André Moz Caldas reconheceu que uma "atitude individual de um presidente de Câmara" não tem por si só a capacidade de pôr em causa essa liberdade, mas deixou um aviso claro, qualquer comportamento publicamente entendido como atentatório dessa liberdade "não honra a tradição do Partido Socialista".

André Moz Caldas falava em conferência de imprensa na sede nacional dos socialistas, em Lisboa, após ser questionado sobre as acusações que Abrunhosa, eleita numa coligação PS/Livre/PAN, dirigiu ao jornalista João Gaspar, da Lusa, numa reunião pública do executivo municipal, revela a SIC Notícias citando a Lusa.

Em causa estava uma notícia da Lusa que citava o coordenador da Casa do Cinema de Coimbra, Tiago Santos, segundo o qual o espaço cultural corre o risco de perder a licença por o município não ter avançado com o plano de reabilitação acordado. A agência acrescentou que questionou o executivo municipal, mas não obteve qualquer resposta.

Perante os jornalistas, Ana Abrunhosa acusou João Gaspar de ter faltado à verdade na notícia, imputou-lhe uma "falha deontológica grave", afirmou que o repórter tinha uma "agenda política" própria e declarou retirar-lhe a confiança, afirmações que desencadearam uma onda de reações.

Na sexta-feira, a Direção de Informação da Lusa respondeu com uma carta a Ana Abrunhosa, "repudiando" as acusações e classificando-as de "descabidas, infundadas e difamatórias". A nota sublinhava que o "percurso de jornalismo na Lusa" de João Gaspar é "irrepreensível".

Já este domingo, o Sindicato dos Jornalistas juntou-se às críticas, acusando a autarca de violar a liberdade de imprensa ao colocar em causa a independência e o profissionalismo do repórter. O sindicato considerou que a atuação de Ana Abrunhosa configura uma tentativa de pressão sobre um órgão de comunicação social.

André Moz Caldas quis ainda deixar claro que "não há nenhum equívoco a propósito do posicionamento" dos socialistas "quer no seu passado histórico, quer hoje e quer para o futuro", reiterando que o PS permanece uma garantia para a liberdade de imprensa em Portugal.

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