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Um professor e ativista de direitos humanos na Hungria encontra-se sob investigação criminal após organizar uma marcha LGBTQ+ pacífica na cidade de Pécs, num episódio que especialistas consideram “perigoso e sem precedentes” no contexto europeu, diz o The Guardian.

No início de outubro, milhares de pessoas deslocaram-se a Pécs para participar na quinta edição anual da marcha Pride, o único evento do género fora da capital, Budapeste. Nos últimos anos, a iniciativa tinha-se tornado um símbolo do compromisso da cidade com a liberdade, a diversidade e a coexistência de minorias.

Este ano, no entanto, a política assumiu um papel central. Em março, o primeiro-ministro Viktor Orbán e o seu partido populista de direita aprovaram a proibição de eventos Pride, permitindo às autoridades recorrer a tecnologia de reconhecimento facial para identificar e sancionar participantes, uma medida que a Amnistia Internacional qualificou como um “ataque frontal” à comunidade LGBTQ+.

Apesar da proibição, em junho dezenas de milhares de pessoas desafiaram a medida em Budapeste, após a marcha ter sido reclassificada como evento cultural municipal. Meses depois, o evento registou números recorde, com cerca de 8.000 participantes, incluindo membros do Parlamento Europeu, desafiando a confirmação da proibição pelas autoridades policiais e pelo Supremo Tribunal do país.

Para Géza Buzás-Hábel, organizador e ativista romani LGBTQ+, o pesadelo começou pouco depois. Dias após o evento, foi chamado pela polícia para interrogatório. O caso foi remetido ao Ministério Público com a recomendação de apresentar acusações, incluindo a organização e convocação para participação numa reunião proibida. O ativista enfrenta uma pena suspensa de até três anos de prisão, caso a acusação avance.

As consequências já afetaram a sua vida pessoal e profissional. Nas últimas semanas, foi despedido do seu cargo estatal como professor, função que exercia há quase uma década, a lecionar língua e cultura romani, e também do centro de música onde trabalhava como mentor há cinco anos.

Organizações de direitos humanos húngaras e internacionais alertaram para o caso, destacando-o como “uma mudança perigosa” na repressão da Hungria contra a comunidade LGBTQ+ e a sociedade civil, e como “um teste para a Europa”. Pedem à Comissão Europeia que intervenha, sublinhando que “uma pessoa não deve ser criminalizada por organizar uma marcha Pride pacífica”.

O activista descreveu o processo como parte de uma campanha mais ampla de intimidação da comunidade romani e LGBTQ+. “Não se trata realmente de mim. Aos olhos dos que detêm o poder, sou apenas um grão de pó. Isto é direcionado à minha comunidade e o objetivo é intimidar as pessoas à minha volta. Estão a usar-me como um exemplo para todo o país”, afirmou.

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