Segundo a Casa Branca, a aeronave sofreu um "pequeno problema elétrico", levando a tripulação a decidir, por precaução, fazer meia-volta cerca de 30 minutos após a descolagem. O incidente atrasou a chegada do chefe de Estado norte-americano à Suíça, que acabou por embarcar num segundo aparelho para prosseguir a deslocação.
A viagem a Davos decorre num contexto de forte tensão diplomática entre os Estados Unidos e vários aliados europeus, motivada pela intenção declarada de Trump de retirar à Dinamarca o controlo da Gronelândia, território semiautónomo e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A ambição do Presidente norte-americano ameaça prejudicar as relações transatlânticas e ofuscar o objetivo inicial da Casa Branca de utilizar a presença em Davos para abordar questões internas relacionadas com o custo de vida nos Estados Unidos.
Trump planeia permanecer dois dias no fórum internacional e já ameaçou impor tarifas à Dinamarca e a outros sete aliados europeus caso não aceitem negociar a transferência da soberania da Gronelândia. Segundo o Presidente, as tarifas começariam em 10% no próximo mês e poderiam subir para 25% em junho, níveis que especialistas alertam poderem aumentar custos, travar o crescimento económico e dificultar o controlo da inflação nos Estados Unidos.
"Esta será uma viagem interessante", afirmou Trump aos jornalistas ao sair da Casa Branca, na noite de terça-feira. "Não faço ideia do que vai acontecer, mas vocês estão bem representados", acrescentou.
Em Davos, vários líderes europeus reagiram às novas tensões. O Presidente francês, Emmanuel Macron, alertou para um momento de "instabilidade e desequilíbrios", tanto no plano da segurança como no económico, exortando os dirigentes internacionais a rejeitarem a "lei do mais forte", sem mencionar diretamente Trump.
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, avisou que uma eventual resposta da União Europeia às tarifas norte-americanas será "firme, unida e proporcional". Von der Leyen sublinhou ainda que a ameaça poderá comprometer o acordo comercial alcançado entre os Estados Unidos e a União Europeia no verão passado. "Um acordo é um acordo. E quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa", afirmou.
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