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O King’s College Hospital, em Londres, abriu um jardim no topo da sua unidade de cuidados intensivos que permite que doentes em estado crítico, incluindo pessoas ligadas a ventilação e outros sistemas de suporte de vida, possam sair para o exterior sem interromper o tratamento. Trata-se de uma inovação mundial, construída com um investimento de cerca de 2 milhões de libras (cerca de 2,4 milhões de euros), e integrada diretamente na UCI, funciona como uma extensão clínica do serviço.
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O espaço, chamado King’s Critical Care Roof Garden, fica no quinto piso do hospital e ocupa cerca de 170 metros quadrados. Tem capacidade para receber até seis doentes em simultâneo, cada um numa cama hospitalar ligada a um sistema próprio de suporte médico. Cada posto está equipado com cabines resistentes às condições meteorológicas que incluem oxigénio, eletricidade e ligação a sistemas de monitorização, garantindo que os doentes permanecem totalmente assistidos enquanto estão ao ar livre, explica o Firstpost.
A ideia do projeto é combinar tratamento clínico com os efeitos terapêuticos da natureza. Os médicos da unidade defendem que os cuidados intensivos podem ser um ambiente extremamente agressivo, com luz artificial constante, ruído e isolamento, o que contribui para situações de stress, ansiedade e delírio. A exposição a elementos naturais como luz solar, ar fresco e vegetação pode ajudar a reduzir esses efeitos, melhorar o humor e até acelerar a recuperação. O jardim inclui plantas aromáticas e táteis como lavanda, jasmim, alecrim e ervas diversas, pensadas para estimular os sentidos dos pacientes mesmo quando estão acamados.
O primeiro paciente a utilizar o espaço foi uma mulher de 29 anos, internada há dois meses em cuidados intensivos à espera de uma cirurgia cardíaca. A doente estava demasiado frágil para sair à rua antes da hospitalização e, quando foi levada para o terraço ainda ligada a vários dispositivos médicos, reagiu com grande emoção ao sentir novamente o sol e o ar livre, descrevendo o momento como profundamente marcante. À BBC, em lágrimas, disse não se lembrar de como era estar no exterior.
No site do NHS, explica-se que o projeto foi desenvolvido pelo paisagista Nigel Dunnett em colaboração com a designer Sarah Price, com experiência em projetos como o Olympic Park de Londres. A conceção foi pensada como um “hospital no meio de um prado”, onde a natureza faz parte ativa do processo de cuidado. Dunnett acabou por falecer antes da conclusão da obra, que foi finalizada pela equipa.
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Para além do impacto na experiência dos doentes, o hospital vai agora estudar os efeitos clínicos do espaço, monitorizando indicadores como frequência cardíaca, respiração, níveis de dor e tempo de recuperação, com o objetivo de perceber se este modelo pode ser replicado noutros hospitais do sistema de saúde britânico. O espaço também poderá ser utilizado por profissionais de saúde durante pausas, como forma de reduzir o stress associado ao trabalho em cuidados intensivos.
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