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A intervenção acontece um dia depois de nova reunião entre Montenegro e o líder do Chega, André Ventura, a segunda em menos de uma semana. No final do encontro, Ventura afirmou que não foi alcançado “até ao momento” um entendimento com o Governo, embora tenha assegurado que o diálogo político e o trabalho técnico vão prosseguir “dia e noite” até à votação do diploma, prevista para sexta-feira. O líder do Chega sublinhou ainda que qualquer viabilização da proposta dependerá de um “princípio de entendimento” global.
Antes da reunião, durante a apresentação de um investimento no Alentejo, o primeiro-ministro garantiu que o Executivo fará “tudo” o que lhe compete para assegurar a aprovação da reforma laboral. “Vou fazer tudo aquilo que compete ao Governo fazer para que o Parlamento não frustre este caminho de afirmação da economia portuguesa e de um desempenho que não deve ser travado”, afirmou, deixando críticas aos que contestam a proposta, acusando-os de preferirem “a mediania” e um crescimento económico “sempre muito tímido”.
Do lado da oposição, o secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, afirmou não ter recebido qualquer convite para reuniões em São Bento e acusou o Governo de protagonizar um “baile de máscaras” com o Chega em torno do pacote laboral. Questionado sobre um eventual acordo entre Montenegro e Ventura, respondeu com ironia: “O Diabo veste Prada”.
O debate quinzenal terá início antecipado para as 14h00, devido à estreia da seleção nacional no Mundial de futebol às 18h00. A sessão abre com uma intervenção do primeiro-ministro, seguindo-se perguntas do Chega e, depois, do PS, Iniciativa Liberal, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP, encerrando com as bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.
Desde o último debate, realizado a 27 de maio, o Governo apresentou também a proposta de criação da Prestação Social Única (PSU), que prevê a fusão de 13 apoios não contributivos. O diploma seguiu para a fase de especialidade sem votação e estabelece, como condição de acesso, a disponibilidade dos beneficiários em idade ativa para a prestação de atividades de solidariedade social até um máximo de 15 horas semanais, salvo exceções. Neste processo, Executivo e Chega já alcançaram um princípio de entendimento, com seis das sete exigências do partido de Ventura aceites.
Após o debate quinzenal, Luís Montenegro voltará a responder aos deputados sobre o Conselho Europeu de quinta e sexta-feira, no qual está prevista a assinatura de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão, centrado no fim da guerra, na reabertura do Estreito de Ormuz, na libertação de fundos iranianos e na compensação para a reconstrução do país.
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