Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt
No ano de 1998, os Estados Unidos viviam momentos marcantes: o então presidente Bill Clinton enfrentava um processo de impeachment, o filme “Titanic” dominava as cerimónias dos Óscares e a maioria das casas continuava a usar telefones fixos. Nesse contexto, a Gallup e o USA Today realizaram um inquérito a 1.055 americanos, interrogando-os sobre as suas previsões para um futuro distante: o ano de 2025.
As respostas recolhidas encontram-se hoje preservadas nos arquivos de sondagens do Roper Center da Universidade de Cornell, permitindo avaliar, quase três décadas depois, o grau de acerto dessas antecipações, conta a CNN.
Algumas previsões revelaram-se perspicazes. Muitos americanos previram que o país elegeria um presidente negro, que os casamentos entre pessoas do mesmo sexo se tornariam legais e comuns, e que surgiria uma “nova doença mortal”. Por outro lado, grande parte dos inquiridos em 1998 mostrava-se cética quanto à possibilidade de viagens espaciais se tornarem acessíveis ao cidadão comum ou ao contacto com formas de vida extraterrestre – previsões que se mantêm válidas.
Outras antevisões, no entanto, não se concretizaram. Cerca de dois terços dos participantes acreditavam que, até 2025, os Estados Unidos teriam eleito um presidente do sexo feminino, o que ainda não aconteceu. Mais de metade esperava uma cura para o cancro, e 61% acreditava que “as pessoas viveriam rotineiramente até aos 100 anos de idade”, algo que ainda não se verifica.
O inquérito explorou também questões menos tangíveis sobre o rumo do país, revelando um pessimismo considerável. 70% dos entrevistados previam uma melhoria da qualidade de vida para os mais ricos, enquanto a opinião dividia-se quanto à evolução da situação das classes médias. A maioria esperava um agravamento das condições de vida para os mais pobres.
A privacidade pessoal e a liberdade individual surgiam igualmente como preocupações: quase oito em cada dez americanos acreditavam que os cidadãos do futuro teriam menos privacidade, e 57% previam menor liberdade pessoal. Muitos anteviam ainda um aumento da criminalidade, uma degradação da qualidade ambiental e a queda dos valores morais. Um número expressivo, 71%, considerava que seria mais difícil educar crianças para se tornarem pessoas de bem.
Apesar do pessimismo, havia alguns pontos positivos nas perspetivas de 1998. A maioria dos entrevistados acreditava numa melhoria das relações raciais e num aumento da disponibilidade de cuidados médicos, embora previssem que estes se tornassem menos acessíveis financeiramente.
O inquérito da Gallup continua a ser realizado nos dias de hoje. A comparação entre os dados de 1998 e os atuais permite observar uma mudança significativa na perceção dos americanos sobre o país. No outono de 1998, cerca de 60% afirmava estar satisfeito com o rumo dos Estados Unidos; atualmente, esse valor caiu para apenas 24%.
___
A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil
Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.
Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.
Comentários