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O presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, endureceu esta segunda-feira o discurso contra o Governo de Pedro Sánchez, depois de, durante anos, ter mantido uma relação de colaboração com os diferentes executivos centrais, diz o El País.
Numa conferência de imprensa extraordinária, o dirigente do Partido Popular acusou o Governo de demonstrar uma "passividade quase absoluta" perante a crise na cidade autónoma e ameaçou recorrer ao poder judicial caso a situação não seja resolvida.
Vivas afirmou que a sua intenção é transmitir a situação à presidente do Supremo Tribunal, Isabel Perelló, e ao presidente do Tribunal Constitucional, Cándido Conde-Pumpido, caso estes estejam disponíveis para o receber. "O poder judicial é a pedra angular do Estado de Direito. Ceuta vive um estado de exceção", declarou.
O presidente de Ceuta estabeleceu ainda um prazo de 30 dias para que a situação se altere. Caso contrário, afirmou que irá procurar outras instâncias. "Não nos vamos render; o Governo é uma parte muito importante do Estado, mas não é todo o Estado", afirmou.
Vivas anunciou que pretende recorrer às Cortes Gerais, ao poder judicial, às comunidades autónomas, à federação de municípios e à Europa. O dirigente justificou a mudança de tom com a situação que, segundo afirmou, continua a verificar-se na cidade, onde milhares de migrantes permanecem a dormir nas ruas, em cartões ou diretamente no chão.
O presidente de Ceuta começou a intervenção a pedir desculpa por romper com a "lealdade institucional" que, segundo o jornal esoanhol, sempre tinha marcado a sua relação com os Governos centrais. De seguida, criticou a atuação do executivo de Pedro Sánchez.
"Nos primeiros dias de agosto, pretendeu maquilhar a realidade afirmando que se tinha recuperado a normalidade", afirmou Vivas. O presidente da cidade autónoma acrescentou depois que se verificou uma "passividade quase absoluta" na adoção de medidas destinadas a recuperar essa normalidade.
Vivas deixou também no ar a possibilidade de existir uma intenção de não restabelecer a situação anterior em Ceuta. "Até à queda definitiva [de Ceuta]", afirmou, acrescentando: "Oxalá não seja essa a razão".
O presidente da cidade autónoma também rejeitou a cedência de alguns espaços para realojar migrantes, uma solução solicitada pelo Governo. Vivas justificou a oposição com as queixas de moradores relativamente a alguns dos locais propostos, por se encontrarem em zonas centrais.
Vivas criticou ainda a ministra da Saúde, Mónica García, depois de esta ter pedido no domingo ao Governo de Ceuta que disponibilizasse espaços para acolher migrantes.
O presidente acusou a ministra de "desviar o foco" e classificou o seu comportamento como "incorreto". "Não pode vir dar lições de humanidade", afirmou, defendendo que os habitantes de Ceuta também devem ser considerados.
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