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António José Seguro começa por dizer que a "liberdade é tão natural como a nossa vida, assim como a justiça social e a democracia" são "valores que fazem parte da nossa identidade coletiva".

Apelidando-as de "o nosso chão comum", sendo o "ponto de partida" o 25 de abril de 1974, de "valor inquestionável".  "Reúne um apoio esmagador, intergeracional e de tão virtuoso, que o assumimos como natural, tão natural como o ar que respiramos", afirma.

Dando como exemplo o que se passa hoje no Parlamento, "o que ouvimos hoje nesta Assembleia é Abril". "Todas e todos puderam manifestar as suas opiniões devido à liberdade de pensamento e expressão conquistadas em Abril".

Cita Eugénio de Andrade, poeta, "que nunca desistiu da liberdade": "Não nascemos para ser servos, nascemos para ser cidadãos". "De certa forma, o 25 de abril em termos coletivos foi isso, um nascimento". "O dia inicial, inteiro e limpo, de Sophia. onde todos nos sentimos livres e iguais".

Agradece aos capitães de Abril pela liberdade, "um reconhecimento que nunca poderá ser suficiente".

O discurso prosseguiu com uma reflexão sobre o significado da liberdade enquanto pilar central da democracia, entendida como o direito de escolher, falar e discordar sem receio. “A liberdade não é um acessório, é o fundamento da democracia”, afirmou, sublinhando que esta não pode ser dissociada da paz, com a qual está “profundamente ligada”.

O Presidente alertou ainda para os desafios colocados pela tecnologia, defendendo que esta deve estar ao serviço do ser humano e não o inverso. Nesse sentido, destacou a importância da responsabilidade institucional e da integridade na vida pública, defendendo maior transparência, nomeadamente no financiamento político. “Não há verdadeira liberdade sem transparência no exercício dos cargos públicos. A transparência dos donativos políticos é essencial para garantir uma democracia saudável”, afirmou, acrescentando que “onde há opacidade cresce a suspeita”.

A este momento seguiram-se aplausos, incluindo de deputados como Pedro Delgado Alves e Isabel Moreira, que anteriormente tinham criticado partes do discurso.

António José Seguro alertou também que a liberdade é comprometida quando a justiça é lenta ou quando a corrupção fragiliza o Estado de direito, apontando ainda desigualdades persistentes, como a diferença salarial entre homens e mulheres.

Dirigindo-se aos mais jovens, reconheceu os desafios da atual geração, marcada pela precariedade, pela crise climática e pelas consequências da pandemia e da guerra, apelando a um maior investimento na saúde mental. “A liberdade é também a de escolher uma habitação digna”, sublinhou, afirmando não aceitar as atuais dificuldades neste domínio.

O Presidente deixou ainda uma mensagem dirigida às novas gerações, reconhecendo a desconfiança na política, mas lembrando que a democracia continua a ser o espaço onde a voz de cada um conta. “Temos obrigação de dar novos mundos aos portugueses aqui em Portugal. Caros jovens, não tenho o direito de vos pedir que amem o 25 de Abril. (…)", mas que é graças a ela que não têm de ir combater na guerra ou que a mulher não precisa de autorização do marido para viajar. Defendeu que a liberdade deve ser defendida diariamente, nomeadamente contra o discurso de ódio e a desinformação, advertindo que o “teste” desta geração será garantir que a liberdade não recua nem se perde: “Não a tomem como garantida”.

Num tom final, afirmou que a democracia está hoje sob teste: “Ou a defendemos com coragem ou arriscamos perdê-la em silêncio”. O discurso terminou com uma longa ovação da maioria dos deputados, com exceção de parte da bancada do Chega.

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