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Ángel Collado, presidente da câmara de Bédar, na província espanhola de Almería, enfrentou a maior crise desde que assumiu a liderança do município, em 2003. Segundo relata o El País, o autarca percorreu as ruas da localidade porta a porta para avisar os moradores da aproximação das chamas do incêndio de Los Gallardos e, no meio da emergência, chegou mesmo a rejeitar uma chamada telefónica sem perceber que do outro lado estava o rei Felipe VI.
Na sexta-feira, já ao anoitecer, Collado encontrava-se no quartel dos bombeiros de Turre. O telefone não deixava de tocar e, exausto, acabou por rejeitar uma chamada. Só mais tarde foi informado de que quem tentava contactá-lo era o monarca espanhol. Assim que soube, devolveu imediatamente a chamada.
Felipe VI quis saber o que tinha acontecido, como se encontrava a população e como estava o próprio autarca. Collado agradeceu o gesto e recordou que, anos antes, também a rainha emérita Sofia demonstrara preocupação pela região, depois de um incêndio que obrigou à evacuação de Bédar e de uma cheia que afetou vários municípios.
O alerta chegou cerca das 17h00 de quinta-feira, quando um morador informou o autarca da aproximação das chamas. A partir desse momento, Collado, os sete vereadores da autarquia e o único agente da polícia local percorreram a povoação para avisar os habitantes de que tinham de abandonar as suas casas. Em simultâneo, os sinos tocaram continuamente para chamar a atenção da população e acelerar a divulgação do alerta.
Os momentos mais difíceis surgiriam mais tarde, já depois das 22h00. O agente da polícia telefonou-lhe profundamente perturbado para comunicar que tinha encontrado os primeiros quatro corpos, cada um no interior de um automóvel. A hipótese inicial apontava para que estivessem a tentar fugir ao incêndio quando ficaram cercados pelas chamas. Posteriormente, foram descobertos mais oito corpos noutro caminho, elevando para doze o número de vítimas mortais encontradas nas imediações de Bédar.
À frente de um município com menos de mil habitantes, considera que os vizinhos são muito mais do que destinatários de políticas públicas. São pessoas que conhece pelo nome, com quem se cruza diariamente e que recorrem frequentemente a ele para pedir ajuda ou aconselhamento. Na sua perspetiva, os presidentes de câmara das pequenas localidades acabam por desempenhar muitos papéis, desde ouvir problemas pessoais até apoiar quem atravessa momentos difíceis.
Apesar de ser eleito pelo PSOE, Collado é descrito por pessoas de diferentes quadrantes políticos como alguém que privilegia os interesses da população acima das disputas partidárias.
Antes de entrar na política, Collado tinha um negócio ligado ao fabrico de máquinas para a indústria do tijolo e trabalhava precisamente em Los Gallardos, a localidade que deu nome ao incêndio.
Iniciou o percurso político como vereador em 1991. Em 2003, foi chamado a substituir o então presidente da câmara, Miguel Barón, que adoeceu. Inicialmente recusou a proposta, uma vez que o cargo não era remunerado e tinha responsabilidades familiares, um emprego e uma hipoteca para pagar. Acabou, porém, por aceitar o desafio e, desde então, venceu todas as eleições autárquicas por maioria absoluta.
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