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O novo Presidente da República já tinha anunciado, ainda durante a campanha para a segunda volta, que a primeira Presidência Aberta seria nos distritos afetados pelas tempestades. Numa nota oficial, Belém confirmou que a deslocação te início esta segunda-feira, 6 de abril.
O roteiro começa na Sertã e prolonga-se até sexta-feira, 10 de abril, abrangendo quatro distritos: Castelo Branco, Santarém, Coimbra e Leiria.
Ainda durante a campanha, o agora Presidente afirmou que “a grande preocupação é precisamente verificar se os apoios chegaram às famílias e às empresas”. A nota da Presidência reforça este objetivo: “Com esta deslocação aos territórios afetados, o Presidente da República escuta as populações, testemunha os impactos das intempéries, bem como as necessidades de resposta e recuperação das zonas sinistradas.
Presidência Aberta: um estilo de proximidade com o país
A Presidência Aberta é hoje considerada uma das marcas mais reconhecíveis do mandato de Mário Soares (1986-1996), surgindo como uma estratégia que aproximou o chefe de Estado das populações e reforçou o contacto direto com o "país real".
Logo no início do seu primeiro mandato, em 1986, Mário Soares apostou na intensificação das deslocações pelo território e no contacto direto com os jornalistas, que “quintuplicaram” em relação ao período de Ramalho Eanes, revela Estrela Serrano em "As presidências abertas". Este movimento não se deveu apenas à diferença mínima de votos com Freitas do Amaral, mas também a um “desejo de afirmar, no início da sua presidência, um estilo diferente do seu antecessor, com quem manteve ‘um clima de desconfiança e uma hostilidade recíproca’”. Mário Soares investiu fortemente na criação de uma nova imagem, aproximando-se da população e consolidando uma presidência mais próxima do povo.
A "Presidência Aberta" começou como uma filosofia de atuação, descrita por Mário Soares no prefácio do primeiro volume de "Intervenções" como uma conceção de presidência “comunicante, nos dois sentidos, em relação à grande massa dos (seus) concidadãos”.
Ao longo das presidências abertas, que incluíram deslocações a cidades como Guimarães, Bragança e Beja, Mário Soares reforçou a ligação com a população, “contactar com as pessoas, ouvir, suscitar o diálogo” e auscultar “os sentimentos profundos, os seus anseios, necessidades, problemas”.
Para além da dimensão mediática, as presidências abertas refletem a interpretação de Mário Soares dos poderes constitucionais dando conteúdo prático ao cargo através da proximidade com os cidadãos. Como sublinhou o jornalista Fernando Madrinha, em 2000, “Para que servem as «presidências abertas»? Servem, acima de tudo, para o Presidente se mostrar (…) Mário Soares inventou-as para fugir a esse destino baço que a Constituição reserva ao Chefe de Estado”.
Os outros desígnios: "Jornadas Presidenciais", "Roteiros" e "Portugal Próximo"
Em 1996, Jorge Sampaio optou por não repetir a designação do seu antecessor e chamou às suas deslocações pelo país de “Jornadas Presidenciais” e “Semanas Temáticas”. Numa dessas jornadas, em 1987, logo após a aprovação do Rendimento Social de Inserção (RSI) pelo Governo de António Guterres, Sampaio recordou o debate que antecedeu a lei: “Disse-se que íamos convidá-los [aos cidadãos abrangidos] à preguiça. Coitados, que preguiças eles têm, na verdade. Hoje, essa conquista está feita.”
Em 2000, Jorge Sampaio visitou Figueiró dos Vinhos, onde não se registava a presença de um chefe de Estado desde 1964, sendo recebido por uma multidão entusiástica. A deslocação incluiu também outros concelhos mais isolados do distrito de Leiria, ao longo dos quais o então Presidente da República defendeu a necessidade de reduzir as assimetrias entre o litoral e o interior do país.
Em Alvaiázere, perante uma sala cheia, deixou um apelo: “O que eu peço a todos, aos mais novos e aos mais velhos, é que acreditem na nossa democracia. Não se deixem cativar por aves agoirentas que prometem o fim do mundo ou, então, o paraíso no dia seguinte. A vida não é assim.”
Estas iniciativas ilustram o modelo de “presidência aberta”, que Jorge Sampaio procurou consolidar. Numa semana temática dedicada à educação, manteve o mesmo foco, sublinhando as fragilidades existentes: “Vi situações difíceis e experiências de grande mérito. Quis aproximar-me das pessoas e das suas dificuldades, envolvendo todos os parceiros sociais num debate que é decisivo.”
Já Aníbal Cavaco Silva batizou as deslocações de “Roteiros Presidenciais”. No prefácio do livro publicado em 2010, escreveu: “Os Roteiros foram uma das iniciativas mais marcantes do meu mandato(…) Promovi cinco Roteiros que se desenvolveram em 21 jornadas e me levaram a 76 concelhos(…) Através deles dei voz a centenas de cidadãos, dei a conhecer e fiquei a conhecer melhor a realidade das diferentes regiões do País e obtive elementos preciosos para o desenvolvimento da minha magistratura de influência.”
Marcelo Rebelo de Sousa entra em 2016, mantém o projeto, mas altera novamente o nome, desta vez para “Portugal próximo”.
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