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A maioria dos portugueses manifesta uma preocupação acentuada com a subida do custo de vida, associada à escalada do conflito no Médio Oriente, e mantém uma avaliação negativa das medidas adotadas pelo Governo para mitigar os seus efeitos. De acordo com o mais recente barómetro da Aximage, realizado em maio, 94% dos inquiridos dizem-se apreensivos com o impacto da situação entre Estados Unidos, Israel e Irão nos preços dos combustíveis e da inflação.
A inquietação é elevada: 56% classificam-na como “muito grande” e 38% como “grande”, restando apenas 4% com pouca ou muito pouca preocupação. O receio é particularmente expressivo no Sul e nas Ilhas, entre pessoas com idades entre os 50 e os 64 anos e nas classes sociais mais baixas, onde a percentagem de respostas no patamar máximo de apreensão supera os 60%.
Politicamente, o sentimento atravessa todo o espetro ideológico, mas é mais intenso à esquerda. Entre eleitores do BE e da CDU, a preocupação “muito grande” ultrapassa os 80%, enquanto nos eleitores da IL, do PS e da coligação PSD/CDS os valores variam entre os 59% e os 66%.
A pressão sobre o orçamento familiar é atribuída sobretudo ao agravamento dos preços da energia, num contexto marcado pelo fecho do estreito de Ormuz. Nas últimas semanas, os combustíveis registaram novos aumentos, refletindo-se nos custos de bens e serviços.
Paralelamente, mantém-se uma forte reprovação da resposta governamental. Segundo o inquérito, 77% dos portugueses consideram insuficientes os apoios anunciados pelo Executivo liderado por Luís Montenegro, um valor semelhante ao registado em abril. Apenas 17% avaliam as medidas como suficientes.
A crítica é mais acentuada na Área Metropolitana do Porto e na região Centro, bem como entre os inquiridos com mais de 50 anos. Ainda assim, entre os eleitores da coligação governamental verifica-se uma ligeira subida da percentagem que considera adequadas as medidas, embora a maioria continue insatisfeita.
Quando questionados sobre quem deve assumir a responsabilidade pelo controlo dos preços da energia, quase metade dos inquiridos aponta para uma responsabilidade partilhada entre Governo e União Europeia. Outros 31% atribuem o papel principal a Bruxelas e 19% ao Executivo nacional, com diferenças assinaláveis consoante a orientação política.
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