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A ArtCut’26 – Catholic Universities Art Triennale, promovida pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, tem como comissário-geral o Cardeal José Tolentino de Mendonça e como curador-chefe o português Nuno Crespo. Em Lisboa, a iniciativa decorre entre 12 de outubro e 15 de dezembro.

Com o tema "Exercises in Empathy", a Trienal pretende explorar o papel da arte na abordagem das questões mais urgentes do nosso tempo, através de exposições, encomendas artísticas, publicações e programas públicos. O projeto procura também refletir sobre o papel da educação universitária, das relações humanas e da empatia.

"A trienal ArtCut é um projeto alimentado pela convicção de que as linguagens artísticas são um dispositivo privilegiado para estabelecer relações, diálogos e afinidades sem impedimentos culturais, linguísticos ou políticos", explica Nuno Crespo.

Para o curador-chefe, a dimensão internacional da iniciativa é essencial para esse propósito. "É uma exposição que se desenvolve pelo mundo inteiro, onde se reúnem artistas que falam diferentes línguas, que desenvolvem diferentes poéticas e possuem práticas artísticas, culturais, sociais e políticas muito distintas", afirma.

Nuno Crespo considera que esse encontro cria uma relação entre os artistas, as suas obras e os públicos. "Entre eles e nós, que recebemos e experimentamos as suas obras, desenvolve-se uma vasta conversa, uma conversa sonhada por sua Eminência o Cardeal Tolentino de Mendonça e materializada numa vasta exposição a que ele chama uma Escola de Empatia", acrescenta.

Trienal percorre sete países

O primeiro capítulo da ArtCut começa no Rio de Janeiro, no Brasil, a 27 de agosto, seguindo-se Santiago do Chile, a 3 de setembro, Bogotá, a 9 de setembro, Boston, nos Estados Unidos, a 23 de setembro, e Milão, em Itália, a 6 de outubro.

Depois da passagem por Lisboa, entre 12 de outubro e 15 de dezembro, a Trienal segue para Luanda, em Angola, a 29 de outubro, terminando em Veneza, em Itália.

À Universidade Católica Portuguesa juntam-se a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a Pontificia Universidad Católica de Chile, a Pontificia Universidad Javeriana, da Colômbia, o Boston College, a Università Cattolica del Sacro Cuore e a Universidade Católica de Angola.

Em Lisboa estarão representados artistas como Andreia Santana, Aires Mateus, Amadeo de Souza Cardoso, Ana Vieira, Augusto Alves da Silva, Carlos Bunga, Cristián Salineros F., Daniel Blaufuks, Délio Jasse, Dimakatso Mathopa, Francesca Woodman, Gordon Matta-Clark, Heidi Bucher, Helena Almeida, Irineu Destourelles, João Abel Manta, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Julião Sarmento, Lara Almárcegui, Maria Beatriz, Martha Rosler, Mona Hatoum, Nicolás Paris, Patrícia Garrido, Pedro Costa, Rafa Bqueer, René Tavares, Taysir Batniji, Vanderlei Lopes e William Eggleston.

"A ambição enorme da nossa Escola de Empatia"

A relação entre arte e empatia está no centro da proposta de Nuno Crespo. O curador considera que a iniciativa surge num momento marcado por profundas transformações nas sociedades e culturas humanas.

"A ambição enorme da nossa Escola de Empatia é proporcional à dimensão dos abalos que as sociedades e culturas humanas têm sofrido a ponto de muitas vezes tornarem o impensável real", afirma.

Nesse contexto, a arte assume, segundo Nuno Crespo, uma função particular. "Um projeto que encontra nas obras de arte dispositivos empáticos que é necessário ativar e aos quais precisamos prestar mais atenção porque neles reside a possibilidade de desinstalar a crescente desumanização que vemos vir na nossa direção", defende.

A ArtCut procura, assim, colocar em diálogo a criação artística, a investigação científica e diferentes áreas do conhecimento, abordando também o impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial na dimensão humana.

A organização recorre, neste âmbito, à encíclica "Magnifica Humanitas", do Papa Leão XIV, que afirma que as inteligências artificiais "podem simular empatia ou compreensão, mas não compreendem aquilo que produzem, porque não habitam o horizonte afetivo, relacional e espiritual em que o ser humano se torna verdadeiramente sábio".

Cardeal Tolentino vê universidade como espaço de criatividade

O Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação e comissário-geral da Trienal, relaciona o projeto com a missão das universidades católicas.

Recordando a forma como o Papa João Paulo II descreveu as universidades católicas como "centros de criatividade e de irradiação", o Cardeal considera que esse princípio constitui "um programa que cada época é chamada a concretizar com renovada energia".

Para José Tolentino de Mendonça, a universidade deve reforçar a capacidade humana de criar, gerar novas ideias e imaginar diferentes formas de compreender o mundo.

"A universidade, enquanto comunidade educativa, reforça a capacidade humana de criar — de gerar novas ideias, de organizar o que antes parecia fragmentado, de imaginar novas versões do mundo — e deve ser vista como um convite à participação num ato de cocriação, e não como um mero exercício técnico de repetição", afirma.

O Cardeal cita também o Papa Leão XIV, segundo o qual as universidades devem interpretar criativamente a complexidade dos desafios atuais e empenhar-se "em tornar mais justa e fraterna a vida das nossas sociedades".

A empatia surge, neste contexto, como um elemento central da missão universitária. Segundo José Tolentino de Mendonça, as universidades católicas podem assumir a empatia como "princípio estrutural", conjugando a atividade científica com o cuidado pela pessoa.

O Cardeal considera ainda que a rede criada pela Trienal entre universidades de diferentes países constitui, por si própria, um exercício de aproximação. "Juntos constituímos sistema — não uma federação de interesses, mas um corpo vivo, articulado, no qual cada instituição contribui com a sua própria estação, a sua própria linguagem, o seu próprio contexto histórico", afirma.

Empatia como resposta à fragmentação

Na reflexão sobre a ArtCut, José Tolentino de Mendonça defende que a empatia assume uma importância crescente num contexto marcado por polarizações e por formas de comunicação que podem contribuir para o isolamento.

"A empatia é uma ferramenta cada vez mais indispensável para construir e partilhar conhecimento, para tecer reciprocidades, para relançar práticas colaborativas", afirma.

O Cardeal considera que esta capacidade deve ultrapassar o âmbito das relações pessoais e estar presente também na vida coletiva, nas famílias, nas escolas, nas universidades, nas instituições políticas e nos espaços cívicos.

"Uma universidade que a cultiva forma profissionais que não reduzem o outro a um dado ou a uma função", sustenta.

A Trienal pretende, por isso, aproximar estética e ética e promover um diálogo entre diferentes saberes. José Tolentino de Mendonça considera que a experiência artística pode constituir um dos espaços privilegiados para esse exercício.

"A experiência da obra de arte continua a ser, ainda hoje, um dos treinos mais eficazes para a capacidade de nos deixarmos afetar por algo — ou por alguém — que nos excede", escreve.

A iniciativa internacional é apresentada como uma forma de colocar pessoas, instituições e culturas em diálogo através da arte, procurando reforçar o papel das universidades católicas enquanto espaços de reflexão, criação e humanização.

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