"É um cenário que se repete todos os anos: no inverno, devido ao frio e à gripe; no verão, por ondas de calor; o país regista excessos de mortalidade. Com os termómetros a subir, Portugal contabilizou 88 óbitos a mais face ao previsto nos dias 29 e 30 de julho. Situação que se deverá manter, tendo em conta que as temperaturas máximas vão continuar a subir, devendo oscilar, no início da semana, entre os 35º e os 40º graus, o que deverá levar o Instituto Português do Mar e da Atmosfera a colocar sob aviso laranja (pior, só o vermelho) grande parte dos distritos", lê-se num artigo do Jornal de Notícias desta sexta-feira.

Os dados são apresentados pelo eVM - sistema de vigilância da mortalidade em tempo real, onde são revelados que só em 2025 o país conta 31 dias com excesso de mortalidade, com o maior período a ocorrer entre os dias 30 de junho e 10 de julho.

Esses dados apontam no total um excesso de 284 mortes, 70% das quais na população com 85 ou mais anos, tal como o que aconteceu nestes últimos dias, de intenso calor.

"É expectável, temos um padrão de mortalidade em Portugal muito associado à componente sazonal. As mortes andam em torno das 300 por dia e depois em dezembro, janeiro, fevereiro tem picos, volta a manter aquela linha com variações impactantes no meio, no período de junho, julho, agosto por causa daquilo que conhecemos com ondas de calor", explica, ao JN, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP).