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Os dados divulgados ao longo do ano, através do "teste do pezinho", já antecipavam que 2025 inverteria a tendência do ano anterior, quando se registou uma quebra da natalidade em Portugal.

Segundo o Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), no ano passado nasceram mais 4.520 bebés do que em 2024. Especialistas consideram este aumento uma boa notícia, mas alertam que não deve ser encarado como uma mudança definitiva na tendência de nascimentos no país, revela o jornal Público.

“Há várias questões a considerar, mas não me parece que, do ponto de vista da natalidade, devamos assistir a grandes alterações”, afirma a demógrafa Ana Fernandes, investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. “Quase 30% dos nascimentos são de mães estrangeiras, o que evidencia o efeito de atracção de jovens mães para um nascimento seguro e pode ter influenciado estes resultados”, acrescenta.

Maria Filomena Mendes, investigadora da Universidade de Évora, destaca ainda “o papel extraordinariamente importante” da imigração no aumento de nascimentos, sublinhando que a sua influência pode ser ainda maior do que os dados indicam, uma vez que não são considerados os casos em que a mãe é portuguesa e o pai estrangeiro.

Ana Fernandes acrescenta que, muito provavelmente, os números de nascimentos nos próximos anos tendem a “estabilizar” e não a manter-se numa situação de crescimento como a registada em 2025.

Portugal registou mais de 89 mil nascimentos em 2025, dos quais cerca de 28% envolveram mães estrangeiras, revela os dados do IRN. Entre estes, 9.211 bebés tinham mãe brasileira, 2.168 angolana, 1.856 cabo-verdiana, 1.094 indiana e 1.080 guineense.

Em outubro de 2025, tinha sido apontada a probabilidade de aumento de nascimentos no país, com base nos dados do “teste do pezinho” divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) e relativos aos primeiros nove meses do ano.

Esses números indicavam, sem surpresa, o distrito de Lisboa como aquele em que mais bebés realizaram o teste, chegando aos 19.891, mais 434 do que no ano anterior. Seguiam-se os distritos do Porto (11.650), Setúbal (5.229), Braga (4.880) e Faro (3.310).

Como é habitual, foram vários os distritos do interior que registaram menos testes, com Bragança a contabilizar apenas 420, Portalegre 440, a Guarda 489 e Vila Real 765.

Depois da quebra no número de “testes do pezinho” durante os anos da pandemia, 2021 marcou uma viragem, com mais testes realizados até 2024, ano em que se verificou nova descida. Os números mantiveram-se, no entanto, sempre abaixo do total de nascimentos agora revelado pelo IRN. Considerando os dados do INE, 2025 surge assim como o ano com mais nascimentos no país nos últimos 13 anos.

A imigração e as condições de vida poderão influenciar o que acontecerá nos próximos anos, como observa Maria Filomena Mendes. “Os portugueses querem ter filhos. Querem ter pelo menos um e gostariam de ter dois. Quando as condições são melhores ou há essa expectativa, tentam cumprir essas intenções, que por vezes vão mudando ao longo da vida, à medida que também mudam as circunstâncias”, conclui.

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