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O destino dos 175 ativistas (211, segundo os organizadores) da flotilha humanitária ‘Global Sumud’ sofreu uma alteração de última hora. Após terem sido detidos em águas internacionais pela Marinha de Israel, na noite de quarta-feira, os civis não serão levados para solo israelita, mas sim desembarcados na Grécia, fruto de um acordo entre os dois Governos.

O anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, que agradeceu publicamente a disponibilidade de Atenas. Por sua vez, o Governo grego esclareceu que não interveio na operação militar, alegando não ter competência policial em águas internacionais, apesar de a interceção ter ocorrido numa zona sob a sua jurisdição de busca e salvamento (SAR).

A detenção de três cidadãos portugueses levou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) a agir de imediato. Paulo Rangel confirmou que o embaixador de Israel em Lisboa foi chamado para prestar esclarecimentos, sublinhando que a operação ocorreu longe da costa israelita.

O clima de tensão estende-se às narrativas sobre o que aconteceu a bordo. Os organizadores denunciam um "rapto" com uso de armas de assalto e lasers, afirmando que os navios transportam material escolar, leite para bebés e alimentos. Já Israel afirma que a operação foi "pacífica" e alega ter encontrado apenas preservativos e cocaína a bordo, ironizando que os ativistas se "divertiam". A Amnistia Internacional, por sua vez, condena a ação, classificando o bloqueio a Gaza como "cruel e ilegal" e criticando o facto de Israel percorrer centenas de milhas para travar ajuda civil.

A "Global Sumud" (resiliência, em árabe) desencadeou uma onda de protestos diplomáticos na Europa. Além de Portugal, também Espanha chamou a embaixadora de Israel em Madrid para protestar contra a detenção de cerca de 30 espanhóis. França, Itália e Alemanha manifestaram "viva preocupação", com Roma a exigir a libertação imediata dos 24 cidadãos italianos detidos.

A flotilha, que partiu de cidades como Marselha e Barcelona pretendia desafiar o bloqueio à Faixa de Gaza, território onde o acesso a bens essenciais continua drasticamente restringido, apesar do frágil cessar-fogo em vigor.

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