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Numa entrevista ao Financial Times no domingo, Donald Trump afirmou querer "tomar" o petróleo iraniano e ponderar ocupar a Ilha de Kharg. Porém, acrescentou que uma operação "significaria que teríamos de lá permanecer por algum tempo".
A 13 de março, Donald Trump disse que as forças dos EUA haviam "obliterado totalmente" todos os alvos militares da ilha, mas que a infraestrutura petrolífera não tinha sido atacada. Este mês, o Axios avançou que a administração considerava ocupar ou bloquear a ilha para pressionar o Irão a reabrir o Estreito de Ormuz, um dos canais de transporte marítimo mais importantes do mundo, a sul da costa iraniana.
A importância estratégica da Ilha de Kharg
Apesar de pequena, a ilha é crucial para a infraestrutura energética iraniana. Cerca de 90% do petróleo bruto do Irão passa por este terminal, transportado através de oleodutos desde o continente. A captura da ilha poderia não só interromper as exportações de petróleo, como também servir de plataforma para ataques ao território continental iraniano.
"Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Também significaria que teríamos de lá permanecer por algum tempo... Não creio que tenham qualquer defesa. Poderíamos tomá-la muito facilmente", afirmou o presidente dos Estados Unidos.
O analista de segurança Mikey Kay, do BBC Security Brief, explicou que a tomada da ilha cortaria efetivamente a linha de vida económica da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), afetando a capacidade do país de conduzir operações militares.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que as forças iranianas estavam "à espera dos soldados americanos" e que fariam "chover fogo" sobre qualquer tentativa de incursão no território do Irão. Nos últimos dias, o Irão reforçou as defesas da ilha, incluindo o envio de mísseis terra-ar portáteis e a colocação de minas antiveículo e antipessoal nas águas circundantes.
Kharg: a “veia económica” do Irão
A ilha situa-se a 24 quilómetros da costa iraniana e ocupa uma área altamente industrializada, com um aeroporto, instalações de defesa aérea e dois grandes cais para navios-tanque. Mais de cinquenta reservatórios de petróleo dominam a metade sul da ilha, tornando-a essencial para as exportações.
Trump chegou a afirmar que os oleodutos poderiam ser destruídos "em cinco minutos", mas que até agora se absteve de o fazer para evitar danos prolongados à economia iraniana. O petróleo transportado da ilha segue depois pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz até à China, principal comprador do crude iraniano.
Ataques recentes e consequências
O US Central Command (Centcom) afirmou que no dia 13 de março foram atingidos mais de 90 alvos militares em Kharg, incluindo depósitos de minas e bunkers de mísseis, preservando a infraestrutura petrolífera.
O Irão assegurou que a exportação de petróleo continua "sem interrupções" e advertiu que qualquer ataque a infraestruturas energéticas ligadas aos EUA seria "imediatamente destruído e reduzido a cinzas".
A destruição de infraestruturas petrolíferas representaria uma escalada significativa do conflito, podendo disparar os preços globais do petróleo e provocar ataques iranianos a outras instalações vitais na região, incluindo centrais de dessalinização.
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