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Quando os líderes europeus se reúnem em Bruxelas, as perguntas dos jornalistas internacionais costumam apontar para figuras como o Presidente francês, Emmanuel Macron, ou o chanceler alemão, Friedrich Merz. Nos últimos meses, porém, quem tem atraído uma atenção crescente dos meios de comunicação internacionais é o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

Segundo um artigo publicado pela revista Politico, a mudança explica-se sobretudo pela postura assumida por Sánchez perante a guerra entre Israel e o Irão e pela oposição frontal ao Presidente norte-americano, Donald Trump.

Quando os Estados Unidos e Israel iniciaram operações militares contra o Irão, no final de fevereiro, Sánchez destacou-se como o único líder da União Europeia a condenar abertamente a ofensiva, classificando-a como uma agressão “ilegítima”. A posição contrastou com a prudência demonstrada por outros dirigentes europeus, que optaram por declarações mais cautelosas.

A resposta de Washington não tardou. Trump criticou duramente Madrid depois de Espanha ter impedido a utilização de bases militares conjuntas e do seu espaço aéreo por aeronaves norte-americanas ligadas à operação. O Presidente dos Estados Unidos chegou a classificar Espanha como um país “terrível” e “hostil”, ameaçando rever relações comerciais e sugerindo mesmo a saída espanhola da NATO.

Trump quer Espanha fora da NATO, mas, a organização não tem mecanismos para expulsar membros
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Contudo, o confronto acabou por reforçar a posição internacional de Sánchez. Perante as críticas norte-americanas, vários líderes europeus manifestaram apoio ao chefe do Governo espanhol e adotaram posições mais críticas em relação aos ataques ao Irão.

O protagonismo internacional de Sánchez surge num momento delicado a nível interno. Embora não esteja diretamente envolvido em processos judiciais, o governo socialista tem sido abalado por sucessivos escândalos de corrupção que atingem figuras próximas do primeiro-ministro.

Entre os casos mais mediáticos encontram-se investigações relacionadas com o seu irmão, David Sánchez, a sua mulher, Begoña Gómez, e antigos dirigentes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), incluindo o ex-primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero.

Ex-primeiro-ministro espanhol Zapatero alvo de investigação por corrupção
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Ainda assim, a imagem de Sánchez continua a beneficiar da sua projeção internacional. Diversos analistas consideram que a oposição a Trump e a defesa do multilateralismo encontram eco numa parte significativa da opinião pública europeia.

A influência da experiência na Bósnia

Aliados próximos defendem que a posição do líder espanhol não resulta apenas de cálculo político, mas também de convicções pessoais moldadas pela sua experiência profissional nos Balcãs no final da década de 1990.

Depois de concluir estudos em economia, Sánchez integrou a equipa do diplomata espanhol Carlos Westendorp na Bósnia-Herzegovina, poucos anos após o fim da guerra. O contacto direto com um país devastado pelo conflito marcou profundamente a sua visão política.

Nas suas memórias, publicadas em 2019, Sánchez escreveu que a passagem por Sarajevo o tornou mais consciente dos perigos do nacionalismo e reforçou a sua crença nas instituições internacionais e na cooperação multilateral.

Essa visão continua a refletir-se na sua ação política. Em abril, durante um fórum europeu realizado em Barcelona, o primeiro-ministro apelou à Europa para se “rearmar moralmente” e assumir um papel mais ativo na resolução dos grandes desafios globais.

Apesar da crescente notoriedade internacional, Sánchez continua a enfrentar uma situação política frágil em Espanha. Governa sem maioria absoluta e depende do apoio de vários partidos regionais para aprovar legislação.

Uma das medidas mais controversas do seu mandato foi a amnistia concedida aos líderes independentistas catalães envolvidos no processo separatista de 2017. A decisão permitiu garantir apoios parlamentares, mas gerou forte contestação entre parte do eleitorado.

As mais recentes investigações judiciais envolvendo figuras históricas do PSOE aumentaram a pressão sobre o Governo e levaram alguns parceiros parlamentares a defender eleições antecipadas.

Ainda assim, sondagens recentes indicam que o Partido Socialista continua a surgir como a força política mais votada em Espanha.

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