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André Ventura, líder do Chega, acusa Centeno de ter obtido “benefícios escandalosos”, referindo que a pensão será próxima do seu salário mensal anterior, estimado entre 17 e 20 mil euros. Ventura falou ainda em “acordo escondido”, descrevendo a situação como uma “imoralidade absoluta”, considerando injusto que alguém com capacidade plena se reforme tão cedo num país onde se exige trabalhar até aos 67 anos, com muitos a receberem reformas baixíssimas.

A polémica surgiu depois de o Jornal Eco noticiar que Centeno deixaria o Banco de Portugal como consultor e passaria a receber a pensão completa. O Chega reagiu apresentando um requerimento na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para ouvir o atual governador e esclarecer os contornos do caso. Ventura criticou o alegado acordo, afirmando que demonstra como “os conluios entre política e dinheiro funcionam sempre para prejudicar os contribuintes”.

Mário Centeno encerra assim o seu percurso no Banco de Portugal, onde trabalhou mais de duas décadas, tendo sido governador entre 2020 e 2025. A reforma resulta de um acordo iniciado pela própria instituição, embora Centeno cumprisse os requisitos legais. Após deixar o banco, vai dar aulas no ISEG, ocupando temporariamente o gabinete de João Duque, e passará também três semanas como professor convidado na Universidade de Miami.

Centeno, economista com carreira no Banco de Portugal, Conselho Superior de Estatística e Comissão Europeia, nasceu em 1966 em Olhão e licenciou-se em Economia no ISEG, onde é professor catedrático. Tem mestrado em Matemática Aplicada e doutoramento em Economia pela Universidade de Harvard. Foi Ministro das Finanças de 2015 a 2020 e presidente do Eurogrupo durante o seu mandato. Depois do Banco de Portugal, tentou a vice-presidência do BCE, chegando à penúltima ronda, numa eleição ganha pelo croata Boris Vujčić.

Na sua carta de despedida aos trabalhadores do Banco de Portugal, Centeno sublinhou o papel da instituição em servir os interesses de Portugal com ética, moral e confiança, lembrando que liderar o banco entre 2020 e 2025 foi um “enorme privilégio” e que procurou conduzir a instituição de forma ética e responsável.

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