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A Polícia Metropolitana de Londres apelou ao cancelamento de uma marcha pró-Palestina marcada para este sábado em Trafalgar Square, alegando que o recente ataque terrorista em Manchester obriga a canalizar recursos policiais para proteger as comunidades locais, diz o The Guardian.
Num comunicado publicado na rede social X, a força policial afirmou que “o horrível ataque terrorista ocorrido em Manchester causou um profundo receio em comunidades por todo o Reino Unido” e que, perante tal cenário, não se justifica mobilizar centenas de agentes para acompanhar uma manifestação de mais de mil pessoas.
O apelo surge um dia depois de um ataque à sinagoga de Crumpsall, em Manchester, ter deixado o país em alerta. O agressor foi identificado como Jihad al-Shamie, britânico de 35 anos, de ascendência síria. Segundo informações recolhidas pela imprensa local e confirmadas pela polícia, o homem não era conhecido das autoridades nem tinha antecedentes registados em programas de prevenção ao extremismo.
Vizinhos de Al-Shamie descreveram-no como uma figura enigmática: ora usava vestes tradicionais até aos pés, ora aparecia de calças de ganga ou pijama. Testemunhas relataram a chegada de equipas fortemente armadas à sua residência, na tarde de quinta-feira, pouco depois do ataque. A operação policial contou com agentes em equipamento de combate, escudos balísticos, cães treinados e até uma motosserra para forçar a entrada no imóvel.
As autoridades confirmaram entretanto várias detenções ligadas ao caso. As investigações continuam a decorrer, com a polícia a avaliar se o agressor atuava isoladamente ou se fazia parte de uma célula terrorista.
No dia de hoje, a polícia identificou os dois homens mortos no ataque como Adrian Daulby, de 53 anos, e Melvin Cravitz, de 66 anos.
Reacções do governo e da comunidade judaica e internacional
O ataque foi imediatamente condenado pelo presidente de Israel, Isaac Herzog, que classificou o dia como “horrível” para a comunidade judaica britânica e mundial. Herzog alertou para uma “onda de antissemitismo” que, segundo ele, tem vindo a intensificar-se e que agora se traduz em derramamento de sangue.
Também o rabino-chefe Sir Ephraim Mirvis descreveu a situação como um “tempo muito sombrio”, acusando uma “onda incessante de ódio contra os judeus” de criar terreno fértil para atos de violência. Em declarações à BBC, Mirvis pediu ao governo britânico que endureça a resposta contra manifestações que contêm mensagens de apoio ao Hamas e incitação ao antissemitismo.
A ministra do Interior, Yvette Mahmood, manifestou-se “muito desapontada” com as manifestações pró-Palestina realizadas na noite de quinta-feira, considerando-as “comportamentos fundamentalmente anti-britânicos”. A governante apelou a que se desse espaço à comunidade judaica para fazer o luto sem a pressão de protestos que, no seu entender, alimentam divisões.
Questionada sobre se o reconhecimento do Estado da Palestina teria encorajado sentimentos antissemitas, Mahmood rejeitou a associação, sublinhando que “o único responsável pelo ataque devastador é o atacante”. Acrescentou ainda que o governo continuará a apoiar a coexistência de dois Estados — Israel e Palestina — como solução diplomática para o conflito no Médio Oriente.
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