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Um novo confronto político emergiu em Espanha em torno do destino de Guernica, a célebre obra de Pablo Picasso, após o Governo basco solicitar a sua transferência temporária para Bilbau, diz o The Guardian.

O pedido mais recente visa assinalar o 90.º aniversário do bombardeamento da cidade basca de Guernica, propondo que o quadro seja exibido no Museu Guggenheim de Bilbao entre 1 de outubro e 30 de junho. No entanto, a obra encontra-se exposta no Museu Reina Sofía desde 1992, e sucessivos pedidos para a sua deslocação têm sido rejeitados.

A controvérsia intensificou-se com declarações públicas de figuras políticas de ambos os lados. Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madrid, criticou a ideia de devolver obras aos seus locais de origem, afirmando que tal lógica implicaria enviar todas as criações de Picasso para Málaga, cidade natal do artista. Para Ayuso, a cultura deve ser entendida como universal, classificando como “provincial” a insistência no regresso da obra ao País Basco.

Do outro lado, Aitor Esteban, líder de um partido nacionalista basco, respondeu no mesmo tom, acusando Ayuso de ter uma visão igualmente “provincial” da identidade nacional. Numa referência crítica, afirmou que a ideia de Espanha defendida pela responsável madrilena se resume a “beber cerveja na esplanada de um bar”, evocando a sua posição durante a pandemia.

Também Imanol Pradales, presidente do Governo basco, interveio no debate, questionando a capacidade do executivo espanhol para autorizar a deslocação da pintura. Recordou que o Estado foi capaz de retirar o corpo do ditador Francisco Franco do seu túmulo, mas não demonstra a mesma determinação em transferir um quadro para o País Basco, afirmando que a decisão está agora nas mãos do Governo central.

O Museu Reina Sofía mantém a posição de que a deslocação de Guernica representa um risco para a integridade da obra. Esta preocupação tem sido central nas recusas anteriores, incluindo em 2000, quando o Museum of Modern Art solicitou o empréstimo da pintura. Na altura, o museu espanhol afirmou que o quadro, considerado um dos seus principais ícones, deveria permanecer fora de qualquer política de empréstimos.

Guernica foi pintado em 1937, pouco depois do bombardeamento da cidade basca, ocorrido a 26 de abril desse ano, durante a Guerra Civil espanhola. O ataque foi levado a cabo pela aviação italiana, aliada das forças lideradas por Franco, e é frequentemente citado como um dos primeiros exemplos de bombardeamento aéreo de civis em larga escala. O número de vítimas varia significativamente nas estimativas, entre 126 e 1.654 mortos.

A obra de Picasso, marcada pelo seu estilo monocromático e composição dramática, tornou-se um símbolo internacional dos horrores da guerra. Após a sua criação, foi apresentada na Exposição Internacional de Paris de 1937 e posteriormente exibida em vários países europeus e nos Estados Unidos.

Durante a ditadura franquista, Picasso opôs-se ao regresso da pintura a Espanha, o que levou a que permanecesse durante anos no Museum of Modern Art, em Nova Iorque. Só após o fim do regime é que a obra regressou ao país, acabando por ser instalada em Madrid.

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