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Durante décadas, a energia renovável foi vista como uma alternativa frágil, dependente do humor do vento e do brilho do sol. Hoje, à medida que as redes elétricas se tornam mais inteligentes e a tecnologia avança, essa perceção começa a dar lugar a uma nova realidade, a de um sistema energético cada vez mais capaz de garantir fornecimento contínuo, mesmo quando a natureza não colabora.

"É altamente improvável que falte simultaneamente sol, vento e água em todas as regiões de um país ou mesmo de um continente", explica ao 24notícias João Martins, especialista em planeamento energético. "A combinação de diferentes fontes renováveis, como a solar, a eólica e a hídrica, permite compensar as falhas momentâneas de cada uma e garantir um fornecimento estável de energia", sublinha.

Atualmente, a gestão desta variabilidade ainda recorre, em muitos casos, a centrais a gás ou carvão. No entanto, os planeadores energéticos defendem uma transição para redes elétricas mais integradas e interligadas em grandes áreas geográficas, capazes de transportar eletricidade renovável de zonas com excedente para regiões temporariamente afetadas por calmarias atmosféricas ou menor radiação solar.

Este modelo já está em funcionamento em países como a Suécia e a Áustria, que obtêm a maior parte da sua eletricidade a partir de fontes renováveis. "Estes exemplos demonstram que a fiabilidade não depende de uma única tecnologia, mas da diversidade das fontes e da coordenação eficiente das redes", diz João Martins.

Outro pilar essencial desta evolução é o avanço no armazenamento de energia. O desenvolvimento de baterias de alta capacidade e de outras soluções de armazenamento permite captar energia produzida em períodos de forte produção solar ou eólica e utilizá-la mais tarde, reduzindo as oscilações no fornecimento. "O armazenamento tornou-se um elemento central para garantir maior previsibilidade e segurança no sistema elétrico", acrescenta.

Os especialistas recordam ainda que não existe um sistema energético perfeito. "Também a energia produzida a partir de combustíveis fósseis falha", lembra João Martins, apontando o colapso da rede elétrica no Texas durante a tempestade de inverno de 2021. "A diferença é que as renováveis estão a evoluir rapidamente, com soluções tecnológicas cada vez mais robustas", afirma.

Com a combinação de diferentes fontes renováveis, redes mais inteligentes e sistemas de armazenamento mais eficientes, o argumento da falta de fiabilidade perde força, reforçando a ideia de que a energia limpa pode ser não só sustentável, mas também segura e estável a longo prazo.

"Esta mudança de paradigma resulta, em grande parte, da combinação estratégica de várias fontes renováveis. A integração de energia solar, eólica e hídrica permite compensar as limitações de cada tecnologia, criando um sistema mais equilibrado e resiliente. Quando o vento abranda, a produção hídrica ou solar pode assumir um papel reforçado, reduzindo o risco de falhas no abastecimento", revela João Martins, voltando ao tema do armazenamento.

"Deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade operacional. Baterias de grande capacidade, centrais de bombagem hidroelétrica e outras soluções permitem acumular eletricidade nos momentos de maior produção e libertá-la quando a procura aumenta, garantindo maior estabilidade à rede e reduzindo a necessidade de recorrer a fontes fósseis", conclui.

No conjunto, estes avanços técnicos estão a redefinir o papel das energias renováveis no sistema elétrico mundial. Mais do que uma opção ambiental, tornam-se um pilar de segurança energética, demonstrando que "a transição para fontes limpas pode ser compatível com fiabilidade, previsibilidade e crescimento económico sustentável".

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