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Um novo ensaio clínico internacional trouxe resultados considerados “sem precedentes” no tratamento do cancro, ao mostrar que uma nova injeção experimental pode fazer desaparecer tumores em alguns doentes com doença avançada e resistente a terapias anteriores.

O medicamento, chamado amivantamab, foi testado em 102 doentes com cancro da cabeça e do pescoço em 11 países. Estes pacientes já tinham sido tratados com quimioterapia e imunoterapia sem sucesso e apresentavam cancros em progressão ou recidiva.

Os resultados apresentados numa conferência médica em Chicago indicam que o tratamento reduziu ou eliminou tumores em cerca de 43 doentes. Em 15 casos, os tumores desapareceram completamente, algo que os investigadores descrevem como uma resposta “extraordinariamente forte” para este tipo de doença.

Segundo o oncologista Kevin Harrington, do Institute of Cancer Research e do Royal Marsden Hospital, ao The Guardian, estes doentes tinham opções de tratamento muito limitadas, pelo que os resultados são particularmente significativos e podem beneficiar milhares de pessoas no futuro.

O amivantamab funciona como uma chamada “injeção inteligente”, atuando de três formas: bloqueia proteínas que ajudam o crescimento dos tumores (EGFR), interfere com um mecanismo que permite às células cancerígenas resistirem ao tratamento (MET) e ainda estimula o sistema imunitário a atacar o cancro.

Um dos aspetos práticos mais relevantes é o facto de ser administrado por injeção sob a pele, em vez de perfusão intravenosa, tornando o tratamento mais rápido e fácil de aplicar em contexto clínico. Os efeitos secundários reportados foram geralmente ligeiros a moderados, e menos de 10% dos doentes tiveram de interromper a terapia.

Apesar dos resultados promissores, os investigadores sublinham que o estudo se focou num tipo específico de cancro da cabeça e do pescoço particularmente difícil de tratar, o que torna a resposta observada ainda mais relevante. Em média, os doentes viveram cerca de 12,5 meses após iniciar o tratamento, apesar de estarem numa fase avançada da doença.

Os especialistas consideram que o estudo representa um avanço importante na investigação oncológica, embora ainda seja necessário confirmar estes resultados em ensaios mais alargados e avaliar a eficácia em outros tipos de cancro, como o do pulmão, cólon e estômago, onde o fármaco também está a ser testado.

Os investigadores destacam a rapidez da resposta, em muitos casos, alterações visíveis no tamanho do tumor surgiram em poucas semanas após o início do tratamento. Para uma população de doentes com doença resistente, este tipo de resposta é considerado raro e clinicamente muito relevante.

Os efeitos secundários foram, na maioria dos casos, ligeiros a moderados. Menos de 10% dos doentes tiveram de interromper o tratamento devido a reações adversas, o que é considerado um perfil de tolerabilidade relativamente positivo para um medicamento deste tipo.

Os especialistas envolvidos sublinham, no entanto, que estes resultados se referem a um grupo específico de doentes com cancro da cabeça e do pescoço, uma forma da doença que, quando não está associada ao vírus HPV, tende a ser particularmente agressiva e difícil de tratar. Esta seleção torna o impacto dos resultados ainda mais relevante, já que se trata de uma população com prognóstico geralmente muito limitado.

Apesar das respostas impressionantes, o estudo não significa ainda uma cura generalizada. Os investigadores indicam que os doentes viveram, em média, cerca de 12,5 meses após iniciarem o tratamento, o que, embora significativo para este estádio da doença, mostra que a condição continua a ser grave e de evolução difícil.

O oncologista Kevin Harrington, do Institute of Cancer Research e do Royal Marsden Hospital, descreveu as respostas como “sem precedentes” para doentes que já não respondem nem à quimioterapia nem à imunoterapia, sublinhando que este grupo tem normalmente poucas alternativas disponíveis. Na sua perspetiva, o potencial do medicamento pode vir a beneficiar milhares de doentes por ano, caso os resultados se confirmem em estudos mais amplos.

Os investigadores também salientam que o amivantamab já está a ser testado noutros tipos de cancro, incluindo pulmão, colorretal, gástrico e cerebral. Isto indica que o impacto potencial pode ir além dos cancros da cabeça e pescoço, embora ainda seja necessário confirmar eficácia e segurança em contextos diferentes

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