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Le Pen muda de estratégia em julgamento de recurso para poder aceder ao Eliseu e admite que pode ter cometido um crime

“Se cometi um crime, como todos parecem dizer que fizemos, nunca tivemos a sensação de ter cometido a mais pequena infração”, disse Le Pen aos juízes, na primeira vez que reconhece que pode ter cometido um crime no financiamento do seu partido com fundos do Parlamento Europeu.

A sua posição, secundada pela maioria dos outros onze arguidos – dos 25 condenados em primeira instância, metade não recorreu da sentença -, marca uma viragem na sua linha de defesa, que até agora se mostrara inflexível, negando qualquer irregularidade e até contestando a legitimidade dos tribunais para fiscalizar o trabalho parlamentar.

De recordar que Le Pen foi condenada em março de 2025 por desvio de fundos públicos a quatro anos de prisão, dois dos quais serão cumpridos em prisão domiciliária com pulseira eletrónica, uma multa de 100 mil euros e, mais importante, uma inibição de cinco anos de exercício de qualquer cargo público, com efeitos imediatos, e está a tentar obter um aligeiramento da sentença, para poder candidatar-se ao Eliseu pela quarta vez.

Enfrenta uma pena máxima de dez anos de prisão. Os juízes do julgamento consideraram-na culpada de criar um “sistema” entre 2004 e 2016 para desviar fundos atribuídos pelo Parlamento Europeu aos eurodeputados, destinados ao pagamento dos seus assistentes pelas funções desempenhadas em Bruxelas e Estrasburgo.

A imposição preventiva da inibição de exercício de cargos públicos a que foi condenada em primeira instância deveu-se sobretudo à sua obstinação em não reconhecer o crime, o que, para os juízes, constituí um risco de reincidência.

A líder da extrema-direita, que tinha feito muitas declarações à comunicação social durante o anterior julgamento, reservou agora as suas palavras para os juízes e saiu do tribunal sem prestar declarações – mais uma mudança na sua estratégia de politizar o caso e de se apresentar ao público como uma vítima de perseguição judicial.

Entre 2004 e 2016, ficou provado que foram desviados mais de 4,4 milhões de euros. No final da leitura, Le Pen tomou a palavra para justificar o seu recurso e fê-lo com um argumento inovador, o da involuntariedade e transparência das suas ações, acusando o Parlamento Europeu de não ter alertado para que estavam a agir contra as suas regras.

“Nunca escondemos nada, nem as nossas atividades, nem os nossos contratos. Estavam à vista de todos”, insistiu.

Embora Marine Le Pen não tenha perdido a esperança de ser absolvida, uma condenação não a impedirá de se candidatar às eleições presidenciais de 2027, mas apenas em duas circunstâncias: se qualquer eventual pena de inelegibilidade for inferior a dois anos e se os juízes se abstiverem de lhe impor o uso de uma pulseira eletrónica, considerada incompatível com uma campanha eleitoral.

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