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Após dois dias de negociações em Berlim, responsáveis dos EUA disseram na segunda-feira que “90%” das questões mais difíceis entre a Rússia e a Ucrânia tinham sido resolvidas. Apesar do tom otimista, não é claro que o fim da guerra esteja mais próximo, sobretudo porque a Rússia não participa nas atuais conversações.
Na madrugada de terça-feira, Volodymyr Zelensky afirmou que o Congresso dos Estados Unidos deverá votar garantias de segurança e que espera que o conjunto final de documentos fique pronto “hoje ou amanhã”. Depois disso, disse, Washington irá consultar Moscovo, seguindo-se reuniões de alto nível que poderão decorrer já este fim de semana.
“Estamos a contar com cinco documentos. Alguns deles dizem respeito a garantias de segurança: juridicamente vinculativas, ou seja, votadas e aprovadas pelo Congresso dos EUA”, afirmou o presidente ucraniano em declarações a jornalistas via WhatsApp citadas pelo jornal The Guardian. Segundo explicou, essas garantias “refletiriam o artigo 5.º” da Nato.
Na segunda-feira, responsáveis norte-americanos recusaram divulgar detalhes concretos sobre o conteúdo do pacote de segurança ou sobre o que aconteceria caso a Rússia tentasse conquistar mais território após um eventual acordo de paz. Confirmaram, no entanto, que os EUA não planeiam enviar tropas para o terreno na Ucrânia.
Entretanto, líderes do Reino Unido, França, Alemanha e de outros oito países europeus afirmaram, numa declaração conjunta, que forças de uma “coligação dos dispostos” poderiam “ajudar na regeneração das forças ucranianas, na proteção do espaço aéreo da Ucrânia e no reforço da segurança marítima, incluindo através de operações dentro da Ucrânia”.
Ainda assim, ficaram longe de sugerir garantias equivalentes ao artigo 5.º da Nato e, em qualquer cenário, há poucos sinais de que a Rússia esteja disposta a aceitar o tipo de pacote atualmente em discussão entre Washington e Kyiv.
Esta terça-feira, o Kremlin afirmou não ter visto os detalhes das propostas sobre garantias de segurança. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, declarou que a Rússia não aceitará tropas de países da Nato a operar na Ucrânia “em circunstância alguma”.
Na segunda-feira, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que a paz está mais próxima do que em qualquer outro momento desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. No entanto, fontes diplomáticas europeias admitem, em privado, que as conversações servem mais para manter a Casa Branca de Donald Trump comprometida com o apoio à Ucrânia do que para alcançar um acordo duradouro entre Moscovo e Kiev.
O principal ponto de discórdia entre a equipa ucraniana e os negociadores norte-americanos continua a ser a questão territorial. Trump defende que a Ucrânia abdique das partes da região do Donbass que ainda controla, enquanto Kyiv quer congelar as linhas da frente na atual linha de contacto.
“Estamos a discutir a questão territorial. Sabem que é uma das questões-chave. Neste momento, ainda não existe consenso sobre ela”, afirmou Zelensky após as negociações em Berlim.
A equipa de negociação dos EUA, liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, propôs uma solução de compromisso em que a Ucrânia se retiraria, a Rússia não avançaria e a zona desmilitarizada se tornaria “uma zona económica livre”. A Rússia sugeriu que poderia utilizar forças policiais e da guarda nacional em vez do exército, dando a entender que continuaria a esperar controlar o território.
Zelensky rejeitou essa interpretação: “Quero sublinhar mais uma vez: uma ‘zona económica livre’ não significa sob controlo da Rússia. Nem diz que vamos de facto reconhecer o Donbass — a sua parte temporariamente ocupada — como russo. Absolutamente”.
Não é claro como as duas partes irão avançar na questão territorial. O presidente ucraniano já tinha admitido que uma solução de compromisso, como uma zona económica livre, poderia ser teoricamente possível se fosse aprovada pelo povo ucraniano em referendo. O principal obstáculo poderá surgir quando os planos forem apresentados ao presidente russo, Vladimir Putin, que não deu sinais de estar disposto a ceder nos seus objetivos de guerra.
“Se Putin rejeitar tudo, acabaremos exatamente com aquilo que estamos a viver no nosso avião neste momento — turbulência”, afirmou Zelensky, gravando as declarações após a descolagem de Berlim rumo aos Países Baixos, onde tinha agendadas várias reuniões.
“Acredito que os Estados Unidos aplicarão pressão através de sanções e nos fornecerão mais armas se ele rejeitar tudo. Penso que isso seria um pedido justo da nossa parte aos americanos”, concluiu.
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