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A Polícia Judiciária está a averiguar se a Construbarcelos, empresa do empreiteiro João Santos Carvalho, realizou obras na casa de Álvaro Pires, diretor de Serviços de Gestão Financeira e Patrimonial da própria PJ. A informação foi avançada pela RTP, que refere que a polícia está disponível para ouvir vizinhos e analisar fotografias e vídeos que alegadamente documentam os trabalhos.

O caso surge no âmbito da polémica que envolve a relação entre responsáveis da PJ, o empreiteiro João Carvalho e a empresa Construbarcelos, que realizou diversas obras para a Polícia Judiciária e também trabalhos numa propriedade do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, quando este era diretor nacional da polícia.

Segundo a RTP, foram entretanto instaurados dois processos disciplinares internos. Um deles envolve um arquiteto subordinado de Álvaro Pires, que terá acompanhado obras adjudicadas à Construbarcelos nas instalações da PJ na Guarda e em Évora.

O segundo processo envolve um quadro superior da Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAL), que terá realizado pesquisas no sistema informático interno da PJ relacionadas com a Construbarcelos.

De acordo com a informação divulgada, o funcionário justificou a pesquisa depois de ter sido contactado pela jornalista Felícia Cabrita, do Nascer do Sol. O agente terá considerado que as informações que lhe foram transmitidas poderiam indiciar a existência de crimes graves.

Relação com o caso do atrelado

O nome de Álvaro Pires já tinha surgido noutra vertente da polémica. O diretor financeiro e patrimonial da PJ assumiu internamente ter sido responsável pela decisão de colocar temporariamente nas instalações da Construbarcelos um atrelado apreendido numa investigação de tráfico de droga, que transportava produtos químicos.

A decisão terá sido tomada depois de a Marinha ter pedido à PJ que retirasse o atrelado das suas instalações no Seixal. A falta de espaço nos armazéns da PJ e os custos associados à destruição dos produtos terão pesado na procura de uma solução provisória. A decisão foi posteriormente validada por Luís Neves, então diretor nacional da PJ.

A própria PJ abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da deslocação do atrelado para Barcelos. A Procuradoria-Geral da República confirmou entretanto a existência de um inquérito relacionado com os bens apreendidos na chamada Operação Pacoba.

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