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O novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, afirmou em conferência de imprensa, que as eleições marcaram um momento “histórico” para o país e defendeu uma rápida transição de poder, sublinhando que os eleitores votaram não apenas por uma mudança de governo, mas por uma “mudança de regime”. O líder garantiu ainda um reforço do compromisso com a União Europeia e criticou o papel do aparelho estatal na campanha eleitoral.
Magyar avisou que tinha chamadas agendadas com líderes europeus, sinalizando desde logo a prioridade dada às relações externas. Reiterando a mensagem já transmitida após as eleições, afirmou que o eleitorado húngaro “escreveu história”, destacando o impacto internacional dos resultados.
O novo primeiro-ministro apontou críticas ao partido do ainda primeiro-ministro, Viktor Orbán, alegando que o número de votos obtido se deveu ao apoio do aparelho de Estado durante a campanha. Ainda assim, frisou que o resultado eleitoral representa uma clara vontade de mudança por parte dos cidadãos.
Magyar apelou ao chefe de Estado para convocar o novo parlamento o mais rapidamente possível após a validação oficial dos resultados, prevista para 4 de maio, sugerindo mesmo que a sessão inaugural possa ter lugar no dia seguinte. “Não há tempo a perder”, afirmou, garantindo que a nova administração está pronta para iniciar funções sem demora.
No plano político, o líder sublinhou que o mandato recebido vai além de uma simples alternância governativa. Segundo disse, trata-se de uma transformação mais profunda, com o objetivo de ultrapassar instituições e estruturas que considera comprometidas durante a era Orbán.
Reconhecendo os desafios do novo ciclo político, Magyar admitiu que o seu executivo poderá cometer erros, mas prometeu responsabilidade: “O nosso país deixará de ser um país sem consequências”, declarou.
O primeiro-ministro destacou ainda o simbolismo da data das eleições, realizadas no 23.º aniversário da adesão da Hungria à União Europeia, defendendo que o voto popular confirma a vontade de manter o país firmemente ancorado no projeto europeu — “independentemente do que o governo cessante planeava ou tentava impor”.
“A política é sobre pessoas, e isso foi esquecido por muitos políticos”, afirmou, defendendo uma abordagem mais próxima e transparente.
Durante a intervenção, Magyar destacou o contato direto com os eleitores como chave para o sucesso da campanha. Disse ter visitado cerca de 700 localidades em dois anos, reunindo-se com milhões de pessoas. “A política é sobre pessoas, e isso foi esquecido por muitos políticos”, afirmou, defendendo uma abordagem mais próxima e transparente.
O líder acrescentou que esse contato direto não pode ser substituído pelas redes sociais, sublinhando que publicações online “nunca substituirão” a interação cara a cara.
Nas relações externas, Magyar garantiu que a Hungria continuará empenhada na União Europeia e na NATO, apesar de reconhecer imperfeições no funcionamento das instituições europeias. Ainda assim, mostrou-se confiante na capacidade de alcançar compromissos: “Podemos ter debates, mas não vamos para Bruxelas para lutar só por lutar”, disse, numa crítica implícita à estratégia do anterior governo.
Magyar acusou ainda Viktor Orbán de se focar excessivamente em temas internacionais, como a Rússia, a Ucrânia ou os Estados Unidos, em detrimento dos problemas internos. “Falou de tudo menos das questões que afetam os húngaros, e os húngaros disseram não a isso”, afirmou.
O primeiro-ministro voltou também a pedir a demissão do chefe de Estado, Tamás Sulyok, a quem chamou “marioneta” de Orbán. “Foi nomeado para assinar tudo o que lhe é apresentado. Para mim, não é o presidente”, declarou.
Sem revelar ainda nomes para os principais cargos do futuro executivo, Magyar adiantou que pretende reformar a estrutura do poder político, incluindo a introdução de um limite de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro, a consagrar na Constituição. A medida teria efeitos retroativos, o que impediria Orbán, que já exerceu funções durante cerca de 20 anos, de voltar a liderar o governo.
A concluir, deixou uma mensagem sobre soberania e legitimidade política: “A nossa história não é escrita em Bruxelas ou em Washington, mas nas ruas e praças da Hungria.”
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