Acompanhe toda a atualidade informativa em 24noticias.sapo.pt

O novo primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar, afirmou em conferência de imprensa, que as eleições marcaram um momento “histórico” para o país e defendeu uma rápida transição de poder, sublinhando que os eleitores votaram não apenas por uma mudança de governo, mas por uma “mudança de regime”. O líder garantiu ainda um reforço do compromisso com a União Europeia e criticou o papel do aparelho estatal na campanha eleitoral.

Magyar avisou que tinha chamadas agendadas com líderes europeus, sinalizando desde logo a prioridade dada às relações externas. Reiterando a mensagem já transmitida após as eleições, afirmou que o eleitorado húngaro “escreveu história”, destacando o impacto internacional dos resultados.

O novo primeiro-ministro apontou críticas ao partido do ainda primeiro-ministro, Viktor Orbán, alegando que o número de votos obtido se deveu ao apoio do aparelho de Estado durante a campanha. Ainda assim, frisou que o resultado eleitoral representa uma clara vontade de mudança por parte dos cidadãos.

Magyar apelou ao chefe de Estado para convocar o novo parlamento o mais rapidamente possível após a validação oficial dos resultados, prevista para 4 de maio, sugerindo mesmo que a sessão inaugural possa ter lugar no dia seguinte. “Não há tempo a perder”, afirmou, garantindo que a nova administração está pronta para iniciar funções sem demora.

Péter Magyar, o produto do sistema que foi aliado de Órban e agora o enfrenta na Hungria
Péter Magyar, o produto do sistema que foi aliado de Órban e agora o enfrenta na Hungria
Ver artigo

No plano político, o líder sublinhou que o mandato recebido vai além de uma simples alternância governativa. Segundo disse, trata-se de uma transformação mais profunda, com o objetivo de ultrapassar instituições e estruturas que considera comprometidas durante a era Orbán.

Reconhecendo os desafios do novo ciclo político, Magyar admitiu que o seu executivo poderá cometer erros, mas prometeu responsabilidade: “O nosso país deixará de ser um país sem consequências”, declarou.

O primeiro-ministro destacou ainda o simbolismo da data das eleições, realizadas no 23.º aniversário da adesão da Hungria à União Europeia, defendendo que o voto popular confirma a vontade de manter o país firmemente ancorado no projeto europeu — “independentemente do que o governo cessante planeava ou tentava impor”.

“A política é sobre pessoas, e isso foi esquecido por muitos políticos”, afirmou, defendendo uma abordagem mais próxima e transparente.

Durante a intervenção, Magyar destacou o contato direto com os eleitores como chave para o sucesso da campanha. Disse ter visitado cerca de 700 localidades em dois anos, reunindo-se com milhões de pessoas. “A política é sobre pessoas, e isso foi esquecido por muitos políticos”, afirmou, defendendo uma abordagem mais próxima e transparente.

O líder acrescentou que esse contato direto não pode ser substituído pelas redes sociais, sublinhando que publicações online “nunca substituirão” a interação cara a cara.

Nas relações externas, Magyar garantiu que a Hungria continuará empenhada na União Europeia e na NATO, apesar de reconhecer imperfeições no funcionamento das instituições europeias. Ainda assim, mostrou-se confiante na capacidade de alcançar compromissos: “Podemos ter debates, mas não vamos para Bruxelas para lutar só por lutar”, disse, numa crítica implícita à estratégia do anterior governo.

Magyar acusou ainda Viktor Orbán de se focar excessivamente em temas internacionais, como a Rússia, a Ucrânia ou os Estados Unidos, em detrimento dos problemas internos. “Falou de tudo menos das questões que afetam os húngaros, e os húngaros disseram não a isso”, afirmou.

O primeiro-ministro voltou também a pedir a demissão do chefe de Estado, Tamás Sulyok, a quem chamou “marioneta” de Orbán. “Foi nomeado para assinar tudo o que lhe é apresentado. Para mim, não é o presidente”, declarou.

Sem revelar ainda nomes para os principais cargos do futuro executivo, Magyar adiantou que pretende reformar a estrutura do poder político, incluindo a introdução de um limite de dois mandatos para o cargo de primeiro-ministro, a consagrar na Constituição. A medida teria efeitos retroativos, o que impediria Orbán, que já exerceu funções durante cerca de 20 anos, de voltar a liderar o governo.

A concluir, deixou uma mensagem sobre soberania e legitimidade política: “A nossa história não é escrita em Bruxelas ou em Washington, mas nas ruas e praças da Hungria.”

___

A sua newsletter de sempre, agora ainda mais útil

Com o lançamento da nova marca de informação 24notícias, estamos a mudar a plataforma de newsletters, aproveitando para reforçar a informação que os leitores mais valorizam: a que lhes é útil, ajuda a tomar decisões e a entender o mundo.

Assine a nova newsletter do 24notícias aqui.