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Segundo email enviado às redações, o estudo analisou exames cerebrais de 4519 participantes, dos quais 2255 tinham diagnóstico de POC e 2264 eram saudáveis. A investigação reuniu cerca de 200 cientistas de 89 instituições de 20 países, sob a liderança da Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Em Portugal, o projeto foi coordenado por Pedro Morgado, do Instituto de Ciências da Vida e Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da Universidade do Minho e do Centro Clínico Académico de Braga.

Os investigadores identificaram alterações estruturais em várias regiões do cérebro associadas à atividade de genes responsáveis pelo desenvolvimento e funcionamento dos neurónios. Estes resultados reforçam a hipótese de que a POC tem uma origem neurobiológica muito precoce, anterior ao aparecimento dos primeiros sintomas. Segundo Pedro Morgado, a investigação representa um passo importante para compreender melhor os mecanismos da doença e poderá contribuir para o desenvolvimento de diagnósticos mais precisos e de tratamentos mais direcionados.

Ao contrário de estudos anteriores, que analisavam apenas três indicadores da estrutura cerebral, este avaliou 13 características diferentes, incluindo, pela primeira vez na POC, a curvatura do córtex cerebral e a organização estrutural entre diferentes regiões do cérebro. Os cientistas verificaram que alterações na curvatura do córtex, sobretudo nas regiões frontal e parietal, se mantêm tanto em doentes medicados como não medicados, o que sugere que poderão constituir um marcador biológico da doença.

Já a diminuição da espessura, da área e do volume de determinadas regiões cerebrais parece estar relacionada com o tratamento farmacológico ou com formas mais graves e prolongadas da perturbação. O estudo encontrou ainda alterações em áreas do cérebro responsáveis pelo processamento sensorial e pelo controlo dos movimentos, reforçando o seu papel no desenvolvimento da POC.

Numa fase inovadora da investigação, uma equipa da Universidade de São Paulo relacionou estas alterações cerebrais com a atividade de genes envolvidos no desenvolvimento dos neurónios antes e depois do nascimento. Esta associação foi confirmada através da análise de tecido cerebral de doentes submetidos a cirurgia, estabelecendo pela primeira vez uma ligação direta entre os resultados da neuroimagem e da genética.

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