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A plataforma de compra e venda de artigos em segunda mão Vinted está no centro de uma polémica, depois de dezenas de utilizadores terem denunciado a existência de anúncios suspeitos que alguns acreditam poderem estar relacionados com redes de tráfico de crianças.

Esta semana multiplicaram-se nas redes sociais capturas de ecrã e vídeos que mostram anúncios de peluches e outros brinquedos colocados à venda por valores extremamente elevados, frequentemente superiores a mil euros. Além dos preços considerados anormais, as descrições chamaram a atenção por incluírem informações pouco habituais, como referências a idades específicas, alturas, tamanhos de roupa infantil e frases como "12 anos / 152 (tamanho de roupa)", "novo, com etiqueta" ou "pequeno peluche saudável".

A semelhança entre vários anúncios levou muitos utilizadores a suspeitar de uma possível utilização da plataforma para encobrir atividades ilícitas, embora, até ao momento, não exista qualquer prova de que estejam efetivamente relacionados com tráfico de seres humanos.

Segundo a rádio francesa Europe 1, a polícia francesa já abriu uma investigação para esclarecer a origem destas publicações. Os anúncios foram sinalizados às autoridades através da PHAROS, o organismo nacional responsável pela receção e análise de denúncias de conteúdos ilegais na internet, que irá apurar se existe fundamento para suspeitas criminais.

As autoridades ainda não divulgaram quaisquer conclusões e não confirmaram a existência de ligações entre os anúncios e redes de tráfico de pessoas.

A Vinted já reagiu às alegações através de um comunicado nas redes sociais garantindo que a investigação interna realizada até ao momento "não encontrou quaisquer casos credíveis que liguem os anúncios atualmente partilhados online a atividades de tráfico de crianças".

A plataforma afirma ainda que, sempre que identifica anúncios criados deliberadamente para alimentar estas suspeitas, atua de imediato. "Quando estes anúncios são deliberadamente falsificados para alimentar esta narrativa, estamos a removê-los rapidamente e a tomar medidas contra as contas envolvidas, incluindo o seu bloqueio", refere.

A empresa acrescenta que está a colaborar com as autoridades na investigação em curso. "Estamos a colaborar estreitamente com as autoridades competentes enquanto estas conduzem a sua própria investigação."

A Vinted assegura ainda que a segurança dos utilizadores continua a ser uma prioridade. "Estamos a trabalhar incansavelmente para manter a Vinted segura para os nossos membros", conclui a plataforma.

Não é a primeira vez que plataformas de comércio eletrónico enfrentam suspeitas deste género. Em 2020, a Wayfair foi alvo de uma teoria amplamente divulgada nas redes sociais, segundo a qual móveis vendidos por preços muito elevados e identificados com nomes femininos serviriam para encobrir tráfico de crianças. Diversas investigações concluíram, contudo, que as acusações eram infundadas e não encontraram qualquer indício de atividade criminosa.

Também a Etsy enfrentou uma situação semelhante, quando utilizadores detetaram anúncios de fotografias de pizzas vendidas por valores astronómicos. Apesar de a investigação interna não ter encontrado provas de ilegalidades, a plataforma optou por remover os anúncios por considerar que não eram fiáveis.

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