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O acidente ocorreu ao início da noite de domingo, na localidade de Adamuz, perto de Córdoba, quando várias carruagens de um comboio que seguia de Málaga para Madrid descarrilaram numa zona de linha reta e atravessaram para a via contrária, colidindo com outro comboio que circulava no sentido oposto, entre Madrid e Huelva.
De acordo com as operadoras ferroviárias, cerca de 400 passageiros e membros do pessoal seguiam a bordo dos dois comboios. Os serviços de emergência da Andaluzia confirmaram que 73 pessoas foram transportadas para unidades hospitalares, 24 das quais em estado grave, incluindo quatro crianças.
O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, classificou o acidente como "extremamente estranho" e afirmou que todos os especialistas consultados pelo Governo se mostraram "profundamente perplexos" com as circunstâncias do desastre. Foi entretanto aberta uma investigação, cujas conclusões só deverão ser conhecidas dentro de pelo menos um mês.
A entidade gestora da infraestrutura ferroviária, Adif, indicou que o acidente ocorreu pelas 19h45 locais, cerca de uma hora depois da partida do comboio de Málaga. O impacto projetou as carruagens do segundo comboio contra um talude, concentrando a maioria das vítimas mortais e dos feridos graves nas carruagens dianteiras.
Os comboios envolvidos eram do modelo Freccia 1000, capazes de atingir velocidades até 400 km/h, segundo confirmou a empresa ferroviária italiana Ferrovie dello Stato. As equipas de socorro relataram grandes dificuldades nas operações de resgate devido à complexidade dos destroços. "Tivemos de remover um corpo para conseguir chegar a uma pessoa viva", afirmou à televisão pública RTVE o comandante dos bombeiros de Córdoba, Francisco Carmona.
Testemunhas descrevem momentos de pânico. O jornalista da RTVE Salvador Jiménez, que seguia num dos comboios, relatou que o embate "foi como um terramoto". Outro passageiro, ouvido pela estação Canal Sur, disse que "havia gritos por todo o lado e pessoas a chamar por médicos".
Na sequência do acidente, todas as ligações ferroviárias entre Madrid e a Andaluzia foram suspensas, devendo permanecer encerradas durante todo o dia de segunda-feira. Postos médicos avançados foram montados junto ao local e espaços de apoio às famílias das vítimas foram criados em várias estações, incluindo Atocha, Sevilha, Córdoba, Málaga e Huelva.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que o país enfrenta "uma noite de profunda dor". O rei Felipe VI e a rainha Letizia manifestaram "grande preocupação" e apresentaram condolências às famílias das vítimas. Mensagens de solidariedade chegaram também de vários líderes europeus, entre eles Emmanuel Macron, Giorgia Meloni e Ursula von der Leyen.
Espanha possui a segunda maior rede ferroviária de alta velocidade do mundo, atrás apenas da China, com mais de 4.000 quilómetros de extensão. O último grande acidente ferroviário no país ocorreu em 2013, na Galiza, e causou 80 mortos.
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