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À margem de uma visita à feira agropecuária Ovibeja, em Beja, o dirigente comunista afirmou que “ninguém tem interesse em fazer greve, a não ser para derrotar o pacote laboral”, sublinhando que a paralisação pode ser evitada se o executivo optar por retirar a proposta.
“Todos os trabalhadores estavam interessados em que o Governo tivesse a coragem de retirar o pacote laboral antes da greve do dia 3 de junho. Se não houver matéria, não há matéria para a greve”, afirmou Paulo Raimundo aos jornalistas.
As declarações surgem depois de o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ter garantido, na sexta-feira, que o Governo não abdica das suas convicções em matéria laboral, apesar das críticas vindas da oposição e das centrais sindicais. O chefe do executivo defendeu ainda que o processo de concertação social já implicou cedências significativas por parte do Governo.
Paulo Raimundo foi particularmente crítico em relação ao conteúdo da proposta de alteração ao Código do Trabalho, considerando-a “a machadada em cima da desgraça”, sobretudo para os jovens trabalhadores. Segundo o líder do PCP, o pacote laboral promove a precariedade, facilita despedimentos sem justa causa e desregula horários de trabalho, agravando a instabilidade laboral.
“O Governo pode insistir, pode tentar arranjar os apoios que quiser na Assembleia da República, mas isto não vai ter concretização possível”, afirmou, recordando que a greve geral de 11 de dezembro já tinha travado aquilo que classificou como uma “passadeira vermelha” para a aprovação da reforma.
Questionado sobre declarações de Luís Montenegro, segundo as quais quem faz greve representa uma minoria, Paulo Raimundo acusou o primeiro-ministro de arrogância, avisando que esse tipo de discurso tende a “rebentar nas mãos de quem o diz”.
Durante a visita à Ovibeja, o secretário-geral do PCP abordou ainda o aumento do custo de vida, defendendo a proposta comunista de uma subida intercalar de 50 euros nas pensões a partir de 1 de julho. Para Raimundo, trata-se de um “contributo importantíssimo” para apoiar reformados que enfrentam dificuldades crescentes.
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