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A iniciativa foi apresentada pelo Chega e pelo PCP e acabou por obter consenso entre todas as bancadas na Conferência de Líderes da semana passada. O primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestara já disponibilidade para prestar esclarecimentos aos deputados.

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O formato do debate prevê uma intervenção inicial do Governo, com a duração de seis minutos, seguida das posições de cada partido por ordem de representação parlamentar. No final, o Executivo volta a intervir, desta vez com dez minutos de resposta.

Apesar de o país não registar atualmente fogos ativos, a gestão política da crise continua a gerar críticas da oposição. Vários partidos acusam o Governo de falhas graves, nomeadamente por não ter acionado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil em tempo útil nem declarado o estado de calamidade. Também a ministra da Administração Interna foi alvo de contestação, pela alegada ausência de contacto com as populações atingidas.

Luís Montenegro tem defendido o dispositivo de combate, que descreveu como “o maior de sempre”, admitindo, contudo, que “nem tudo correu bem”. O chefe do Executivo reconheceu ainda que a sua presença na Festa do Pontal, em agosto, pode ter transmitido uma perceção de afastamento face às vítimas, mas rejeita que tenha faltado às suas responsabilidades.

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Entretanto, Chega, Bloco de Esquerda e Juntos pelo Povo anunciaram a intenção de criar uma comissão parlamentar de inquérito à gestão dos incêndios. Também o PS defende uma comissão técnica independente para avaliar o que considera ser uma falha de condução política. André Ventura chegou mesmo a admitir avançar sozinho com a proposta, caso não obtenha apoio suficiente.

Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, Portugal é, em 2025, o país da União Europeia com maior percentagem de área ardida: quase 279 mil hectares, três vezes acima da média registada nas últimas duas décadas.

O incêndio de Arganil foi o mais grave, tendo começado no Piódão a 13 de agosto e prolongado-se durante 12 dias, destruindo 64 mil hectares em sete municípios. No total, os fogos provocaram quatro mortos — incluindo um bombeiro —, dezenas de feridos e avultados prejuízos em habitações, explorações agrícolas e áreas florestais.