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A cerimónia, que assinala o 52.º aniversário da revolução, está agendada para as 10h00. O chefe de Estado será o último a discursar, depois das intervenções dos representantes dos partidos e do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Esta será a terceira vez que António José Seguro usa da palavra no parlamento desde que tomou posse, a 9 de março, seguindo-se às intervenções na cerimónia de tomada de posse e na sessão evocativa dos 50 anos da Constituição, a 2 de abril.

Sem alterações no modelo organizativo face aos anos anteriores, a sessão contará com a presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, sendo o discurso presidencial o principal foco político das comemorações deste ano.

Nos últimos meses, tanto enquanto candidato como já no exercício de funções, Seguro tem apelado ao diálogo entre Governo e parceiros sociais no processo de revisão das leis laborais. Ainda assim, um acordo em sede de concertação social, nomeadamente entre o executivo e a UGT, parece cada vez mais distante.

Na véspera das comemorações, durante um jantar promovido pela Associação 25 de Abril, realizado na Estufa Fria, em Lisboa, o Presidente da República defendeu que “Portugal não precisa apenas de celebrar Abril”, mas também de “cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade”.

Na mesma intervenção, alertou ainda que “a democracia fragiliza-se quando se normaliza a indiferença, quando se tolera a mentira, quando se desvaloriza a participação”.

O deputado do Partido Comunista Português, Alfredo Maia, iniciou a intervenção com críticas a quem “não se conforma com a revolução” e “insiste num ajuste de contas com o 25 de Abril e com as suas conquistas”, acusando esses setores de procurarem “impor uma narrativa revanchista”.

O comunista rejeitou leituras que desvalorizem o processo revolucionário, afirmando que “não há mistificações, saudosismos ou falsificações que apaguem os momentos exaltantes da Revolução”, que, sublinhou, “viraram a página” da história e consagraram conquistas “políticas, económicas, sociais, culturais e civilizacionais” das quais o povo português mantém “um orgulho imenso e irrenunciável”.

Na reta final do discurso, Alfredo Maia defendeu a necessidade de “retomar esse rumo”, apontando como prioridades a rejeição do chamado pacote laboral, o combate à desigualdade na distribuição da riqueza e ao aumento do custo de vida, bem como a oposição ao que classificou como o “arrastamento do país para a loucura do militarismo e da guerra”.

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