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A apresentação do novo Ferrari “Luce” está longe de reunir consenso em Itália. O modelo, totalmente elétrico e com um preço anunciado de 550 mil euros, foi alvo de críticas por parte de figuras políticas e históricas ligadas ao universo automóvel italiano.
O ministro dos Transportes italiano, Matteo Salvini, recorreu às redes sociais para atacar o novo veículo da marca de Maranello. “Elétrico, extremamente caro e, do ponto de vista estético, fala por si. Parece tudo menos um Ferrari”, escreveu, questionando ainda o que pensaria o fundador da marca, Enzo Ferrari, sobre esta aposta.
Segundo o jornal Politicio, as declarações de Matteo Salvini podem agravar as tensões entre o governo italiano e a família Agnelli-Elkann, principal acionista da Ferrari e também do grupo automóvel Stellantis.
O “Luce” representa uma mudança para a Ferrari, visto que, é o primeiro modelo 100% elétrico e também o primeiro automóvel da marca com cinco lugares. No entanto, muitos adeptos da marca consideram que o modelo se afasta da imagem clássica da Ferrari, tradicionalmente associada à velocidade, ao design agressivo e à exclusividade desportiva.
A receção negativa fez-se sentir também nos mercados financeiros. As ações da Ferrari registaram uma queda superior a 8% após a apresentação do novo automóvel.
O design do veículo foi desenvolvido em colaboração com Jony Ive, antigo responsável pelo design da Apple. Alguns comentários nas redes sociais ironizaram a semelhança entre o “Luce”, apresentado numa invulgar tonalidade azul-clara, e os produtos icónicos criados pela Apple nas últimas décadas.
Também Luca Cordero di Montezemolo, que liderou a Ferrari durante mais de vinte anos, criticou duramente o modelo. “Estamos a arriscar destruir uma lenda”, afirmou, defendendo que o automóvel “não merece ostentar o Cavallino Rampante”, símbolo histórico da marca italiana.
Montezemolo deixou ainda uma ironia sobre o impacto do novo modelo no mercado internacional: “Pelo menos, este é um carro que os chineses não vão copiar.”
Já o deputado centrista Carlo Calenda aproveitou a polémica para voltar a criticar a família Elkann-Agnelli, acusando-a de enfraquecer alguns dos maiores símbolos da indústria italiana.
Antes da apresentação pública, o novo Ferrari foi mostrado ao Presidente italiano, Sergio Mattarella, numa visita conduzida por John Elkann.
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