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Segundo o Vatican News, o Papa Leão XIV recebeu, na manhã desta segunda-feira, Sarah Mullally, arcebispa da Cantuária, reafirmando a importância da unidade entre os cristãos como expressão concreta de paz num mundo marcado por sofrimento e conflitos.

O encontro insere-se na tradição de diálogo entre os arcebispos da Cantuária e os bispos de Roma e ocorre num momento simbólico, cerca de sessenta anos após o histórico encontro entre São Paulo VI e Michael Ramsey, que abriu caminho ao primeiro diálogo teológico entre anglicanos e católicos. Segundo o Papa, esse percurso continua hoje mais necessário do que nunca, sobretudo perante um cenário global dilacerado por guerras e divisões.

Na audiência, que contou também com a presença do bispo Anthony Ball, diretor do Centro Anglicano em Roma, o Pontífice destacou que a incapacidade de superar diferenças entre cristãos enfraquece a eficácia da mensagem evangélica. Num mundo que carece profundamente da paz de Cristo, sublinhou, as divisões tornam menos credível o testemunho cristão.

Leão XIV insistiu na necessidade de os cristãos serem mensageiros da paz de Jesus, uma paz que descreveu como “desarmada”, recordando que Cristo respondeu sempre à violência sem recorrer à força. Nesse sentido, apelou a um testemunho conjunto, “profético e humilde”, inspirado diretamente no exemplo de Jesus, e alinhado com o lema do seu pontificado: “No único, somos um”.

O Papa alertou ainda que seria um “escândalo” não trabalhar ativamente para ultrapassar as divergências, mesmo quando estas parecem difíceis de resolver. Retomando uma ideia já expressa pelo seu predecessor, reforçou que a falta de empenho na reconciliação compromete o anúncio do Evangelho. Para Leão XIV, a unidade não é apenas um ideal, mas uma condição essencial para que a mensagem cristã seja acolhida com autenticidade.

Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas em matérias historicamente divisivas, o Pontífice reconheceu que novos desafios têm surgido, tornando mais complexo o caminho rumo à plena comunhão. Ainda assim, encorajou a não deixar que essas dificuldades impeçam iniciativas conjuntas de proclamação de Cristo ao mundo.

Por sua vez, Sarah Mullally destacou, diante do Papa, a necessidade de anunciar o Evangelho com clareza renovada num contexto de violência, profundas divisões e rápidas transformações sociais. Sublinhou que todas as vidas humanas têm valor infinito e que a humanidade é chamada a viver como uma única família, promovendo o bem comum e construindo pontes em vez de muros.

A arcebispa expressou também apreço pela recente viagem apostólica do Papa a África, considerando que a mensagem transmitida foi particularmente necessária no contexto atual. Referiu ainda que realizará, em julho, uma missão ao continente africano, nomeadamente ao Gana e aos Camarões, reforçando o compromisso de estar ao lado das populações, tanto no sofrimento como na esperança.

O encontro culminou num conjunto de iniciativas que reforçam os laços entre as duas tradições cristãs, incluindo uma celebração vespertina na igreja de Santo Inácio de Loyola, onde Anthony Ball foi formalmente nomeado representante da arcebispa junto da Santa Sé.
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