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Segundo o Politico, trata-se da primeira vez que altos responsáveis destes Estados se encontram para alinhar posições antes do confronto com países como Polónia, Itália e Espanha, que defendem uma política de maiores gastos, sobretudo em agricultura e fundos de coesão destinados às regiões mais pobres.
Embora as negociações oficiais mal tenham começado, bastou o verão para os Estados-membros começarem a analisar o impacto das centenas de páginas do plano orçamental e perceberem quem ganha e quem perde com a redistribuição de verbas.
Por trás das portas fechadas, equipas técnicas de países com interesses semelhantes já traçam linhas de ataque e testam as fórmulas de financiamento, numa espécie de “ensaio geral” antes da arena política.
De acordo com um diplomata citado, no final serão sempre França e Alemanha a ditar a linha final do grupo dos chamados "net payers" (os contribuintes líquidos), enquanto os restantes “poodles” seguem atrás.
Do outro lado, a coligação Amigos da Coesão tem contado com a liderança habitual da Polónia, embora a rutura recente com o governo de Viktor Orbán tenha fragilizado a tradicional parceria com a Hungria. Este vazio tem permitido um maior protagonismo dos países do sul, que também exigem mais apoios regionais.
Na prática, a União divide-se em dois blocos — de um lado, os mais ricos, que querem um orçamento mais magro e do outro, os que beneficiam mais dos fundos e exigem um envelope financeiro mais robusto.
Ainda assim, dentro de cada campo há fissuras. França, por exemplo, aproxima-se da Polónia na defesa dos subsídios agrícolas, mesmo estando formalmente no grupo dos net payers.
No passado, encontros discretos como este mostraram-se decisivos. Foi num desses arranjos, em Helsínquia, que os países ricos fecharam acordo para reservar 175 mil milhões de euros para o programa de investigação Horizon — decisão confirmada pouco depois pela Comissão.
Entretanto, em Bruxelas, a Comissão Europeia aguarda nos bastidores e tentará segurar o essencial da sua proposta inicial. O comissário do Orçamento, Piotr Serafin, antigo embaixador da Polónia junto da UE, terá a difícil missão de mediar as conversas entre os dois campos rivais. Um alto funcionário da Comissão resumiu: “ele consegue ver todas as cartas na mesa”.
Para Janusz Lewandowski, antigo comissário europeu do Orçamento, o segredo é “dividir para reinar”, evitando que os Estados se cristalizem em blocos coesos. Ainda assim, o veterano recorda que há uma certeza nestas maratonas negociais: “a proposta da Comissão nunca é o texto final, todos terão de ceder — mas, no fim, chega-se sempre a acordo”.
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