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Segundo uma reportagem publicada pelo jornal espanhol El País, o mercado dos medicamentos destinados à perda de peso atravessa uma profunda transformação em Espanha. Depois de um período marcado pela escassez, a disponibilidade destes tratamentos aumentou significativamente, facilitando o acesso a pessoas com excesso de peso ou obesidade através de plataformas digitais e consultas médicas à distância.
O artigo relata o caso de uma mulher de 50 anos, identificada apenas como Elena, que decidiu iniciar tratamento após ter sido impactada por anúncios de Mounjaro nas redes sociais. Depois de preencher um formulário online, enviar fotografias e pagar cerca de 30 euros, obteve uma receita médica que lhe permitiu adquirir o medicamento. Em quatro meses, estima ter perdido mais de 10 quilos, descrevendo a mudança como “radical”.
Este testemunho ilustra uma realidade cada vez mais comum: os medicamentos para emagrecer deixaram de ser um fenómeno associado apenas a celebridades e passaram a fazer parte do quotidiano de muitas pessoas. A obtenção de receitas tornou-se mais simples, sendo frequentemente possível através de alguns cliques e de uma videoconsulta, com acompanhamento posterior realizado por correio eletrónico.
Apesar da crescente acessibilidade, alguns especialistas alertam para os riscos de um acompanhamento insuficiente. A endocrinologista Andreea Ciudin, do Hospital Vall d’Hebron, considera positiva a possibilidade de mais pessoas terem acesso a estes tratamentos, mas defende que a sua utilização exige monitorização clínica adequada, incluindo ajustes de dose e avaliação contínua da evolução de cada doente.
Dados citados pelo El País indicam que, em 2024, foram dispensadas em Espanha mais de 4,8 milhões de embalagens de Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Esse volume corresponderia a pouco menos de 400 mil pessoas em tratamento. Ainda assim, os números permanecem distantes dos registados nos Estados Unidos, onde cerca de 12% da população está atualmente a utilizar medicamentos deste tipo.
Os especialistas explicam que estes fármacos atuam sobre hormonas relacionadas com o controlo do apetite. Entre elas destaca-se o GLP-1, responsável por enviar ao cérebro sinais de saciedade. Em pessoas com obesidade, a produção ou funcionamento destas hormonas pode estar comprometido. Os medicamentos reproduzem artificialmente os seus efeitos, ajudando a reduzir a fome e a ingestão alimentar.
Outra das tendências destacadas é o desenvolvimento de versões orais destes medicamentos. Em Espanha já existe o Rybelsus, embora a sua absorção seja limitada. Novas opções, como o Orforglipron, deverão chegar ao mercado nos próximos meses, oferecendo uma alternativa às injeções e respondendo às preocupações de muitos utilizadores que receiam o uso de agulhas.
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