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À medida que se aproximam as eleições na Hungria, Viktor Orbán intensifica a sua campanha focando a Ucrânia como a maior ameaça ao país, diz o The Guardian.

Anúncios publicitários pagos pelo Estado, gerados com recurso a inteligência artificial, exibem imagens de Volodymyr Zelensky e responsáveis da União Europeia com as mãos estendidas, acompanhados da mensagem: “A nossa mensagem a Bruxelas: não vamos pagar!”. Esta estratégia, visível também em rádio, televisão e redes sociais, pretende convencer o eleitorado de que os problemas internos, como o aumento do custo de vida e a estagnação económica, são secundários perante o alegado perigo externo.

A campanha de Orbán não é inédita em recorrer a táticas de intimidação. Em 2018, durante a corrida para o terceiro mandato consecutivo, o candidato e o partido Fidesz exploraram o receio da migração. Em 2022, cinco semanas após a invasão russa à Ucrânia, propagaram a acusação infundada de que a oposição enviaria tropas húngaras para o conflito.

Nos últimos dias, o governo de Orbán recusou aprovar o mais recente pacote de sanções da UE e um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, alegando perturbações no fornecimento de petróleo russo que passa pelo território ucraniano. A decisão gerou indignação entre líderes europeus. Radosław Sikorski, ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, qualificou a posição de Budapeste como “chocante”, recordando que a Hungria foi invadida por tropas soviéticas no século XX. A ministra sueca da Europa, Jessica Rosencrantz, acusou Orbán de usar a Ucrânia como “saco de pancada”.

Com a oposição Tisza à frente nas sondagens, o governo intensificou ataques contra a Ucrânia. Orbán afirmou, sem apresentar provas, que o país em guerra planeava desestabilizar o sistema energético húngaro, enviando tropas para proteger a infraestrutura nacional. No dia seguinte, publicou uma carta aberta a Zelensky, acusando-o de “forçar” a Hungria a entrar na guerra e de tentar instalar um governo pró-Ucrânia em Budapeste.

Esta estratégia já alterou a perceção pública: a maioria dos húngaros passou de apoiar o auxílio europeu à Ucrânia para opor-se a ele, enquanto Zelensky se tornou um dos líderes mais impopulares no país. Para muitos, a invasão russa foi transformada numa disputa entre duas nações eslavas impopulares, permitindo a Orbán mobilizar votos reforçando a retórica anti-Ucrânia.

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