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A Polícia Judiciária deteve um cidadão estrangeiro no âmbito da operação “Cinderela”, que investiga um alegado esquema organizado de manipulação de processos de insolvência e recuperação de empresas. Segundo o comunicado enviado às redações, a investigação incide sobre a "atuação organizada e concertada de um grupo de pessoas, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais."
De acordo com a investigação, o grupo recorria a créditos fictícios e "documentação forjada para garantir o reconhecimento de dívidas inexistentes", permitindo o controlo da massa falida, a aprovação de planos de recuperação e a dissipação de património. O detido, um empresário de 56 anos, é suspeito de ter participado na dissipação ilícita de ativos de empresas em insolvência.
Segundo informações apuradas pela SIC, o 11.º detido na operação é o empresário Myles Charles Bunyard, detido no aeroporto Sá Carneiro, sendo suspeito de envolvimento em insolvências associadas a Paulo Topa. O cidadão britânico, com atividade na área do calçado em Espanha e no Reino Unido, terá estado ligado a pelo menos duas insolvências alegadamente manipuladas.
No âmbito da operação “Cinderela”, já tinham sido detidas outras 10 pessoas, incluindo ex-administradores de insolvência, um advogado e vários empresários. Foram também realizadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, com apreensão de documentação, material informático, dinheiro, objetos de luxo e viaturas de gama alta.
Segundo o canal Now, entre os arguidos está o joalheiro Eugénio Campos, que terá recorrido ao advogado Paulo Topa, atualmente em prisão preventiva aceitando integrar um plano de dilapidação de património. Segundo o Ministério Público, eram criados mapas de créditos fictícios para esvaziar massas falidas e impedir o pagamento de indemnizações.
A investigação indica ainda que Paulo Topa terá exercido influência sobre processos judiciais e discutido estratégias relacionadas com a distribuição de casos a magistrados, embora algumas dessas intenções não tenham sido concretizadas. O processo envolve mais de uma centena de arguidos e é apontado como tendo causado prejuízos na ordem dos 10 milhões de euros.
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