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Num relatório de 83 páginas, a organização de defesa dos direitos humanos afirma que, desde 2024, uma empresa de segurança privada sediada em Abu Dhabi, o Global Security Services Group (GSSG), contratou centenas de ex-militares colombianos para lutar ao lado das Forças de Apoio Rápido (FAR) contra o Exército sudanês, num conflito que se arrasta desde abril de 2023.
Segundo a HRW, dois dos mercenários colombianos confirmaram ter sido enviados para o Sudão após treino em território emirático. Um deles relatou que, à chegada aos Emirados, evitou os controlos de imigração e foi conduzido diretamente para a base militar de Ghiyathi, em Abu Dhabi, onde recebeu instrução militar ministrada por cidadãos emiratis. A ONG identifica ainda a base de Al Wathba como outro local utilizado antes do envio para o teatro de guerra.
“O recrutamento de mercenários colombianos soma-se a um conjunto crescente de provas de que os Emirados fornecem apoio militar às FAR, responsáveis por atrocidades repetidas no Sudão”, afirmou Mauso Segun, diretora da divisão africana da Human Rights Watch.
A presença de combatentes colombianos foi tornada pública pela primeira vez em novembro de 2024, após a divulgação de vídeos nas redes sociais que mostravam um comboio intercetado por forças aliadas ao Exército sudanês, proveniente da Líbia. Investigações posteriores revelaram ainda que os mercenários utilizavam munições de fabrico búlgaro desviadas de arsenais das Forças Armadas dos Emirados, em violação dos acordos internacionais de utilizador final.
A HRW verificou igualmente imagens que mostram combatentes “aparentemente colombianos” envolvidos nos confrontos em Al Fasher, no Darfur do Norte, durante a ofensiva das FAR em outubro de 2025, marcada por assassinatos, violações e outros abusos generalizados contra civis. Um dos mercenários declarou ter treinado combatentes das FAR em Nyala, no Darfur do Sul, referindo que muitos dos recrutas eram crianças, o que constitui crime de guerra à luz do direito internacional.
Apesar das acusações, os Emirados Árabes Unidos continuam a negar qualquer apoio militar às FAR, insistindo que a sua intervenção no Sudão se limita à ajuda humanitária.
A guerra no Sudão já causou dezenas de milhares de mortos e forçou cerca de 14 milhões de pessoas a abandonar as suas casas. Segundo dados das Nações Unidas, mais de 19,5 milhões de sudaneses enfrentam atualmente níveis críticos de insegurança alimentar.
O conflito eclodiu a 15 de abril de 2023, em Cartum, entre as Forças Armadas Sudanesas, lideradas pelo general Abdel Fattah al-Burhan, e as FAR, comandadas por Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como “Hemedti”, após o colapso do processo de transição política iniciado depois da queda do antigo ditador Omar al-Bashir.
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