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"Off Campus" estreou a 13 de maio, na Prime Video, e rapidamente se tornou um fenómeno entre a audiência. Baseada na coleção literária de Elle Kennedy, a série de oito episódios mistura romance universitário, música, hóquei no gelo e as dúvidas existenciais típicas da entrada na vida adulta. E, para muitos espectadores que ainda tentam preencher o vazio deixado por "The Summer I Turned Pretty", esta foi a combinação perfeita.

Mas o sucesso de “Off Campus” vai além da estética nostálgica ou das relações amorosas intensas. A série tornou-se especialmente relevante por aquilo que faz com as emoções masculinas e pela forma como trabalha o chamado “yearning”, um conceito cada vez mais popular nas redes sociais e nas análises culturais.

Segundo o Dicionário de Oxford, “yearning” refere-se a um desejo intenso e prolongado por alguém ou alguma coisa. Na prática, é aquela tensão emocional construída nos olhares e na antecipação.

A primeira temporada acompanha Garrett Graham (Belmont Cameli), estrela da equipa universitária de hóquei e filho de uma antiga lenda do desporto, e Hannah Wells (Ella Bright), estudante de música clássica que tenta equilibrar a faculdade entre bolsas de estudo e vários part-times.

Nas redes sociais multiplicam-se edits ao som de músicas como “My All”, de Mariah Carey, enquanto psicólogos e criadores de conteúdo analisam a dinâmica emocional entre os protagonistas. Ao mesmo tempo, regressa uma expressão há muito usada para descrever personagens masculinas emocionalmente disponíveis: “homens escritos por mulheres”.

Há momentos particularmente marcantes na série. Num deles, Hannah pede a Garrett que a ajude "a ter um orgasmo". Nervoso, Garrett procura aconselhamento junto do melhor amigo, Dean. A resposta surpreende precisamente por fugir ao padrão habitual da representação masculina no audiovisual: “O consentimento é essencial”.

Pode parecer um detalhe simples, mas é precisamente aqui que “Off Campus” se distingue. Garrett não transforma os seus traumas em agressividade nem usa a vulnerabilidade como arma emocional. Pelo contrário, comunica, escuta e permite-se ser emocionalmente transparente com Hannah.

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Num contexto digital dominado pelo rage bait (conteúdo que gera ódio), por influenciadores que transformam relações tóxicas em entretenimento e por discursos cada vez mais agressivos sobre masculinidade, séries como esta acabam por funcionar quase como um contraponto cultural.

Visualmente, a série recupera também a estética das comédias românticas do início dos anos 2000, fazendo lembrar filmes como "Coyote Bar" ou "How to Lose a Guy in 10 Days". Essa nostalgia ajuda a explicar porque é que a série atrai não apenas o público da geração Z, mas também espectadores millennials que cresceram com esse tipo de narrativa romântica.

Embora “Off Campus” utilize vários elementos clássicos do género, o atleta popular, a rapariga reservada, a tensão romântica inevitável, é precisamente na desconstrução da masculinidade tradicional que encontra a sua maior força. Porque, no final, o maior charme da série não está nos grandes gestos românticos, mas na ideia de que saber ouvir, respeitar limites e comunicar também pode ser profundamente sedutor.

A primeira temporada já terminou, mas já foi comunicado que a série vai renovar para uma segunda temporada, desta vez, com os protagonistas Dean DiLaurentis (Stephen Kalyn) e Allie (Mika Abdalla).

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